sábado, 19 de outubro de 2013

O GLOBO: Duas grandes tragédias aéreas ainda estão sem punição no Brasil

Duas grandes tragédias aéreas ainda estão sem punição no Brasil


O GLOBO
SÃO PAULO

Apesar de as duas maiores tragédias da aviação brasileira terem ocorrido em 2006 (choque no ar entre um avião da Gol e um Legacy, causando a morte de 154 passageiros) e 2007 (avião da TAM saiu da pista ao aterrissar no Aeroporto de Congonhas, provocando a morte de 199 pessoas), nenhum dos acusados pelos acidentes foi condenado. Familiares das vítimas temem pela impunidade.

Dario Scott, que perdeu a filha no acidente da TAM, em julho de 2007, diz que a Justiça é lenta, mas espera que os culpados não fiquem impunes. A Justiça paulista ainda está ouvindo testemunhas. Nos dias 8 e 9 de agosto, foram ouvidas as testemunhas de acusação, e as de defesa estão previstas para os dias 11 e 12 de novembro. Somente em dezembro, nos dias 9 e 10, serão ouvidos os réus.

São acusados pelo acidente a ex-diretora da Anac, Denise Maria Ayres Abreu, e os ex-diretores da TAM Alberto Fajermann, então vice-presidente, e Marco Aurélio dos Santos Miranda e Castro, então diretor de segurança em voo da empresa. No início do processo, a polícia indiciou 13 pessoas pelo desastre, mas a Justiça só aceitou a denúncia contra os três.

— Finalmente, parece que a Justiça vai punir alguém no caso — disse Scott.
Roberto Gomes, que perdeu um irmão também no acidente da TAM, acha que o mais grave é que Congonhas continua operando sem segurança.

— Só fazem maquiagem nos aeroportos brasileiros, mas não melhoram a segurança dos voos — afirmou.

Rosane Gutjahr, que perdeu o marido no acidente da Gol, em setembro de 2006, está preocupada com a prescrição do crime. Para ela, o excesso de recursos impetrados pelos advogados dos pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que comandavam o Legacy no momento do acidente, e o retorno deles ao Estados Unidos podem levar à impunidade. A dupla foi condenada, em segunda instância, a três anos, um mês e dez dias de prisão, mas o Ministério Público Federal, e os representantes das vítimas recorreram da decisão. Eles pedem ainda a cassação dos registros dos dois.

— Queremos que eles cumpram pena no Brasil e que tenham as licenças cassadas — disse Rosane.



Perguntas de ATC Brasil:

Porque tanta energia tentar castigar "os culpados" - (ou presumidos culpados)?
E quase nada é feito para consertar os PROBLEMAS fundamentais que foram as causas dos acidentes de 2006 e 2007?

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