quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tragédia Gol: cinco anos sem nenhuma prisão

Tragédia Gol: cinco anos sem nenhuma prisão
Acidente ocorreu no dia 29 de setembro de 2006, na região da Serra do Cachimbo


O acidente entre Boeing da Gol e jato Legacy, que causou a morte de 154 pessoas, completa cinco anos sem a prisão dos responsáveis. O choque entre as aeronaves ocorreu no dia 29 de setembro de 2006, na região da Serra do Cachimbo, no norte do Mato Grosso. Na ocasião, o vôo 1907 da companhia área brasileira fazia a rota Manaus - Brasília e desapareceu dos radares.

Somente no dia seguinte, os destroços foram encontrados em área densa da floresta amazônica, a quase 200 quilômetros de Peixoto Azevedo. Os pilotos americanos Jan Paul Paladino e Joseph Lepore, que sobreviveram ao acidente, comandavam o jato Legacy da empresa Excel Air. Após a colisão com o Boeing da Gol, a 37 mil pés de altura, eles conseguiram pousar a aeronave em uma base da Força Aérea Brasileira.

Vários fatores teriam contribuído para o choque, segundo relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Entre eles, a não realização de um adequado plano de vôo pelos pilotos do Legacy e o desligamento inadvertido do transponder.

Jan Paul Paladino e Joseph Lepore foram condenados a 4 anos e 4 meses de detenção, mas a pena foi substituída por prestação de serviços comunitários. A diretora da Associação de Familiares e Amigos do Vôo 1907, Rosane Gutjahr, ainda espera pela prisão dos pilotos americanos. “É ridícula essa pena (…) Para a gente é revoltante, é doloroso”.

O advogado que representa os pilotos americanos afirma que seus clientes também foram vítimas de uma grande falha no sistema aéreo brasileiro. Falando ao repórter Andre Aguiar, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias revelou que não acredita que a condenação será revertida. “Estou absolutamente seguro de que o Tribunal Regional Federal irá decidir pela manutenção dessa pena”.

O diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas destaca que desde o acidente, em 2006, muitos investimentos no setor foram realizados. De acordo com o comandante Carlos Camacho, a tecnologia pode ajudar o ser humano a evitar erros.

O professor do ITA Cláudio Jorge ressaltou que, até o acidente, as entidades do setor atuavam de forma independente. O especialista em transporte aéreo salienta que os órgãos melhoraram a comunicação entre si. “A grande evolução que nós tivemos daquele tempo para cá foi a evolução o melhor entendimento entre as unidades que atuam no setor aéreo”.

A Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 e o Ministério Público Federal recorreram da decisão. As partes envolvidas devem apresentar suas alegações ao Tribunal Regional Federal de Brasília, onde o caso será analisado.

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