quinta-feira, 14 de abril de 2011

VALOR: Evasão de controladores preocupa

Evasão de controladores preocupa

Tarso Veloso

A evasão dos controladores aéreos pode ser um grande problema da aviação brasileira nos próximos anos, além da deficiente infraestrutura dos aeroportos. Cerca de 300 profissionais abandonam seus postos de trabalho todos os anos ou vão para a reserva, segundo a Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA). Esse é praticamente o mesmo número de formados anualmente, calcula a associação, o que leva o país a ter a mesma quantidade de controladores de voo da época do caos aéreo de 2007, cerca de 3.100 profissionais militares. As queixas da época, como de excesso de horas trabalhadas, portanto, não foram sanadas.

O diretor de mobilização da ABCTA, Edileuzo Cavalcante, disse que quase todos os dias recebe relatos de incidentes aéreos - como um avião que se aproxima mais do que o permitido de outro. "Somente nos últimos dias foram nove, em Brasília, São Paulo e Nordeste. A maioria dos casos acontece nos voos de alta altitude".

Ele foi um dos afastados da aeronáutica em 2007 por "praticar lideranças negativas" e passou por um processo administrativo que decidiu pela sua expulsão na semana passada. Segundo Cavalcante, há mais de 100 controladores respondendo a processos por causa da mobilização de 2007.

Uma fonte ligada ao controle de segurança de voo revelou ao Valor que, há cerca de três meses, o comissário de uma companhia aérea relatou um grande risco de colisão entre sua aeronave e outra de menor porte enquanto sobrevoavam o Estado de São Paulo, por causa do acúmulo de tráfego aéreo. "O numero de controladores ainda não é o suficiente. O sistema atual dá um ar de normalidade à situação ", comentou Cavalcante.

Os controladores têm migrado para a iniciativa privada. "O pessoal de alto nível, com muitos anos de estudo, não encontrou crescimento na carreira e desistiu, partindo para outros concursos ou indo para a iniciativa privada", disse Cavalcante. Hoje a remuneração líquida para um recém formado é de R$ 2.485,11, o que leva controladores a encontrar oportunidades de trabalho com melhor remuneração, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção ao Voo, Jorge Botelho.

O aumento do volume de tráfego aéreo nos últimos anos, segundo Botelho, foi superior ao número de controladores. Além da falta de profissionais, eles continuam sobrecarregados de trabalho, cumprindo até 170 horas mensais. "Para se ter uma ideia do que isso significa, no auge da crise aérea, a jornada era de 120 a 140 horas por mês. O recomendado são 120 horas mensais, nível que tínhamos em 2006", disse Botelho.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) explicou, por meio de nota, que a meta é atingir 3.420 controladores em 2016. "Ressalta-se ainda que o número atual de controladores de tráfego aéreo, superior a 3.100, é adequado para a operação em total segurança das aeronaves que sobrevoam o espaço aéreo brasileiro. Mesmo assim, o Comando da aeronáutica continua a investir no setor para atender à demanda durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016".

A Força Aérea Brasileira (FAB) disse que as inovações em tecnologia são fundamentais para se reduzir o número de controladores. Em 2010, o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP) ampliou em 50% a sua capacidade de controle do espaço aéreo. Em janeiro daquele ano, o órgão podia controlar 30 aeronaves simultaneamente. Em julho, o número subiu para 45 e chegará a 60 tráfegos simultâneos em 2012.

Ainda existe uma divisão dos profissionais em dois regimes: militares na ativa e civis, com salários e demanda de trabalho diferente, gerando conflitos dentro da categoria. Os civis são 20% do contingente total, segundo a ABCTA.

Um profissional bem treinado requer quatro a cinco anos, portanto, não existe tempo hábil para se formar profissionais bem qualificados para a Copa do Mundo. "Para se ter uma ideia, o curso mais rápido tem a duração de 10 meses, jogando uma pressão nessas pessoas que, na maioria das vezes, não tem condições de suportar", disse Botelho. Segundo ele, a FAB reduziu o tempo de treinamento de 300 horas para 90 horas.

O chefe do SRPV, vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), coronel Carlos Minelli de Sá, assegurou que a contratação de novos controladores foi acelerada no último ano e que existe um planejamento bem montado para preencher todas as vagas. "Os novos especialistas são formados em um ritmo que não se baseia somente na evasão, mas também nos militares que vão para a reserva", disse Minelli.

Essa saída de profissionais para trabalhar em outras áreas é considerada normal para o SRPV. "Temos um número de evasão de controladores compatível com outras atividades, como pilotos e soldados", disse Minelli. Os motivos para as saídas são a busca por outros desafios ou por não se enquadrar dentro das regras militares.

A falta de crescimento profissional não pode ser considerada fator responsável pela saída dos controladores, segundo Minelli. Para ele, existem várias formas de ascender na carreira de um profissional que cuida do espaço aéreo. O funcionário pode continuar trabalhando na área de controle durante um bom tempo, mas dentro dela existem várias possibilidades, podendo, no futuro, assumir cargos de chefias ou supervisão. A aeronáutica abriu concurso para preencher 160 vagas de controlador de tráfego aéreo. Serão aceitos somente os profissionais formados.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Controladores de voo negam falha humana em acidente com aeronave 1907 da Gol

Controladores de voo negam falha humana em acidente com aeronave 1907 da Gol

Eles foram ouvidos pela Justiça Federal de Brasília na tarde desta terça-feira
Os controladores de voo supostamente envolvidos no acidente entre um jato Legacy e um avião da Gol, em 2006, negaram que houve falha humana no controle do espaço aéreo de Brasília no dia em que as aeronaves se chocaram e provocaram a morte de 154 pessoas.

Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tibúrcio de Alencar foram ouvidos, durante uma audiência nesta terça-feira (29), presidida pelo juiz Murilo Mendes. Eles são acusados pela Justiça Federal de crime de neglicência, com base no artigo 261 do Código Penal.

O depoimento de Alencar durou cerca de uma hora e meia, segundo a assessoria de comunicação da Justiça Federal de Brasília. Nele, o controlador de voo se defendeu das acusações dos pilotos do jato Legacy, que afirmaram que ele não atendeu aos chamados da aeronave. Segundo o advogado de Alencar, Roberto Sobral, o controlador tentou vários contatos com os pilotos, mas não obteve resposta.

Ainda segundo Sobral, Alencar relatou ao juiz federal que o espaço aéreo que pertence ao controle de Brasília só era possível ser visualizada pelos controladores de voo de Manaus. Por isso, não foi possível visualizar o posicionamento do jato Legacy. A falha de alcance dos radares já era de conhecimento da Aeronáutica, segundo o delegado.

Já o depoimento de Santos durou cerca de uma hora. O funcionário afirmou que o aparelho do jato Legacy (transponder), que fazia a comunicação da aeronave com os controladores de voo, estava desligado. Por isso, o sistema acusou, automaticamente, que o avião estava no nível 370 (o que equivale a 37 mil pés de altitude). Posteriormente, foi constatado que o Legacy trafegava no nível 360, o mesmo que o voo 1907 da empresa aérea Gol.

Nesta quarta (30) e quinta-feira (31), o juiz Murilo Mendes ouvirá, por meio de teleconferência, os pilotos do jato Legacy, Jan Paul Paladino e Joseph Lepore, que vivem atualmente nos Estados Unidos. O magistrado anunciará a decisão dele depois que a defesa e o Ministério Público Federal apresentem considerações sobre o depoimento dos envolvidos no acidente. Para fazer isso, eles têm o prazo de dez após o fim das oitivas.

Controladores reafirmam que tentatam contato com pilotos do Legacy

Controladores reafirmam que tentatam contato com pilotos do Legacy

Tragédia em 2006 terminou com a morte de 154 pessoas, todas passageiras do avião da Gol

Os controladores de voo que acompanhavam o tráfego aéreo na ocasião do acidente do jato Legacy com o avião da empresa Gol, em setembro de 2006, negaram nesta terça-feira, em depoimento, as acusações de que teriam sido negligentes ou colocado em risco a segurança da aviação. A tragédia terminou com a morte de 154 pessoas, todas passageiras do avião da Gol. Os controladores Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tirbúrcio eram os responsáveis por monitorar o jato Legacy, na data em que ocorreu a colisão entre as aeronaves.

Eles trabalhavam na torre de controle de voo do Cindacta I, de Brasília, e monitoravam o jato Legacy, que era pilotado pelos norte-americanos Jan Paulo Paladino e Joseph Lepore.

O primeiro a prestar depoimento - que aconteceu na Justiça Federal de Brasília – foi o controlador Tibúrcio. Ele se defendeu das acusações dos pilotos, de que não teria atendido aos chamados da aeronave, dizendo que tentou, por várias vezes, entrar em contato com Joseph e Paladino, mas não obteve resposta.

Jomarcelo também transferiu para os pilotos a responsabilidade pelo acidente. Ele sustentou o que Tibúrcio afirmou - que o aparelho do Legacy que faz a comunicação da aeronave com os controladores de vôo estava desligado. Segundo Jomarcelo, devido a essa falha o sistema acusou, automaticamente, que o jato Legacy voava numa altitude de 37 mil pés, quando na verdade, estava a 36 mil pés – o mesmo do avião da Gol.

Em outubro do ano passado, a justiça Militar condenou Jomarcelo, que é sargento, a 14 anos de prisão por homicídio culposo (sem intenção), devido a morte dos 154 passageiros do boeing da Gol. Ele cumpre a pena em liberdade. Tibúrcio e outros quatro controladores - João Batista da Silva, Felipe Santos Reis e Leandro José Santos de Barros - foram absolvidos.

O advogado Roberto Sobral, responsável pela defesa de Tibúrcio e Jomarcelo, ressaltou que a responsabilidade maior é da Aeronáutica brasileira. “Eles (os controladores) não têm domínio da língua inglesa. Mesmo que tivessem conseguido estabelecer contato com os pilotos, a comunicação estaria comprometida. O Comando da Aeronáutica não cobra proeficiência em língua inglesa para quem quer ser controlador – apenas uma minoria sabe falar inglês”, contou o advogado.

Ele também lembrou que Tibúrcio disse ao juiz federal Murilo Mendes - que é de Sinop (MT) - que pelos radares do Cindacta I, não havia como visualizar o espaço aéreo onde o jato Legacy estava no momento do acidente. A visualização seria possível pelos controladores de voo de Manaus - que não a fizeram. A falha, ressaltou o advogado, era de conhecimento da Aeronáutica.

A assessoria de comunicação da Aeronáutica rebateu a afirmação do advogado e disse que o sistema de cobertura já foi objeto de investigação, dentro do próprio processo, tendo ficado comprovado que os todos radares estavam funcionando normalmente.

O acidente ocorreu no dia 29 de setembro de 2006, no espaço aéreo de Mato Grosso. Os destroços do avião da Gol foram encontrados um dia após a tragédia, numa área de floresta amazônica na Serra do Cachimbo, localizada no norte do Estado. Após a colisão, Paladino e Lepore conseguiram pousar o jato numa base aérea mato-grossense.
A Trial in Brazil, With Testimony on Long Island

Demonstrators outside the courthouse demanded that two American pilots be held accountable. NYT) The hushed atmosphere in this little room on Long Island belies the catastrophic matters at stake, for this is a trial stemming from a 2006 air collision at 37,000 feet on a clear day in another hemisphere that left 154 people dead, their bodies scattered in the dense rain forest of Brazil.



Two planes collided that day, a jetliner and a new commuter jet that was being delivered to its buyer. The large jet crashed; the small one was brought to an emergency landing by its two pilots, both of them American, both from Long Island. The pilots, along with several air-traffic controllers, were criminally charged in Brazil with negligence for causing the crash, but the two Americans have declined to return to that country.



So the trial has come to them, and to Central Islip. On Wednesday one of them took the stand - or, at least, a virtual stand - in his own defense. The second is to testify on Thursday. They agreed to testify, saying they did nothing but fly professionally under dire circumstances; if convicted, they seem certain to fight extradition. A prison sentence could be as long as four years.

It is not unusual for witnesses to testify on video in the United States for a foreign case. But officials with the Justice Department and the State



Department were hard pressed to cite another instance in which an American citizen on trial in a distant nation was given his or her day in court here, in the United States, through a little silver camera like the one that watched the pilot Jan Paul Paladino motionlessly on Wednesday.



It was an almost surreal day of questions haltingly asked and answered. On the screen, a waiter with a tray and a bow tie could be seen serving small cups of coffee to those in a makeshift courtroom in the justice ministry headquarters in Brasília, where relatives of the dead have staged protests and demanded punishment for the two pilots. Technical problems plagued a session that lasted hours. The video connection broke down repeatedly, and the listeners on Long Island, including the pilots' Brazilian lawyer, learned that Portuguese turns into an indecipherable rumble if the hook-up is not perfect.

"I can't hear," said Mr. Paladino, who is from Westhampton Beach. "I'm sorry, forgive me; the audio's very difficult," he grimaced, as a Brazilian judge, Murilo Mendes, pressed ahead with question after question about how two planes could have ended up in the same spot in a deserted sky.



Treaty provisions permit this proceeding, and procedures are in place. The Justice Department works as a coordinator of sorts to make the legal sessions possible. There were the familiar trappings: an American flag in the Long Island frame (on the right screen in Central Islip) and the Brazilian flag behind Judge Mendes (left screen).



The proceedings began with the judge's statement that Mr. Paladino had the right to remain silent. The camera in Brasília panned the room once, showing an orderly crowd awaiting the latest in a trial that has proceeded in fits and starts since the fall of 2007. The testimony of Mr. Paladino and the other pilot on the Embraer Legacy 600, Joseph Lepore, is to be the last at their trial. A decision from the judge is expected in April.



The nightmare collision, the unlikely survival of the passengers on the smaller plane and the devastating fate of the Gol Airlines Boeing 737 in the dense Amazon rain forest drew wide attention. A writer who contributes to The New York Times, Joe Sharkey, happened to be on board the Legacy writing an article for another publication. He detailed his harrowing experience on The Times's front page, and was questioned by officials along with other surviving passengers in 2006. He is not involved in the criminal case.

In Brazil, the story of the death of children, a medical student, a captain of industry and others aboard the Boeing 737 has been something of a national obsession, tinged at times with rumor and anti-Americanism.



As in many trials, there were moments of high drama on Wednesday. The judge spoke firmly. A pause. The translator: "Your profession, please."

Another pause. Mr. Paladino, a pale 38-year-old, sat up a little straighter. "Pilot," he said.



The Brazilian prosecutors have accused the American pilots of committing an offense similar to criminally negligent homicide by flying when their radar might have been off, failing to follow their flight plan and flying at the wrong altitude. The pilots say they had no warning of any malfunction and followed the instructions of air-traffic controllers.



When those charges of carelessness came up, as they did repeatedly, Mr. Paladino spoke firmly as he described what it was like in the cockpit of the smaller plane, with seven aboard, as something rocked it in the air.

Still, it was not quite the confident voice pilots use over the public address system, as he spoke looking squarely at the big flat-screen television. "I wasn't even sure if it even involved another aircraft," he said as he described the growing emergency. With the equipment seeming to be working and the plane on course, he said, another plane out there over the Amazon seemed impossible.



"I could not believe," he said, "that an aircraft would be involved given all the things I just mentioned, and we would still be alive."

But if there were those moments that brought a stark reminder of what this proceeding was about, there were many more moments when the technology seemed to conspire against real emotion. Mr. Paladino gave an impassioned explanation to rebut the claim that the pilots might have turned off the transponder that sends a signal to keep track of planes.

Again, a pause. Then the translator: "O.K. There was a break-up in your answer."



In the courthouse, Mr. Paladino repeated himself again as he described those events over a faraway rain forest.



Next to Mr. Paladino was his Brazilian lawyer, Theo Dias, and next to him was Joel R. Weiss, his Long Island lawyer. Mr. Paladino described the last moment before the crash. He had spoken routinely to an air-traffic controller. Then, he said, "I started to transmit again, and then the collision occurred."

On the television in the small room, the translator was back from Brasília. "I'm sorry, repeat that, please," he said.




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New York Times: A trial in Brazil, with testimony on Long Island

A Trial in Brazil, With Testimony on Long Island

Demonstrators outside the courthouse demanded that two American pilots be held accountable. NYT) The hushed atmosphere in this little room on Long Island belies the catastrophic matters at stake, for this is a trial stemming from a 2006 air collision at 37,000 feet on a clear day in another hemisphere that left 154 people dead, their bodies scattered in the dense rain forest of Brazil.

Two planes collided that day, a jetliner and a new commuter jet that was being delivered to its buyer. The large jet crashed; the small one was brought to an emergency landing by its two pilots, both of them American, both from Long Island. The pilots, along with several air-traffic controllers, were criminally charged in Brazil with negligence for causing the crash, but the two Americans have declined to return to that country.

So the trial has come to them, and to Central Islip. On Wednesday one of them took the stand - or, at least, a virtual stand - in his own defense. The second is to testify on Thursday. They agreed to testify, saying they did nothing but fly professionally under dire circumstances; if convicted, they seem certain to fight extradition. A prison sentence could be as long as four years.

It is not unusual for witnesses to testify on video in the United States for a foreign case. But officials with the Justice Department and the State

Department were hard pressed to cite another instance in which an American citizen on trial in a distant nation was given his or her day in court here, in the United States, through a little silver camera like the one that watched the pilot Jan Paul Paladino motionlessly on Wednesday.

It was an almost surreal day of questions haltingly asked and answered. On the screen, a waiter with a tray and a bow tie could be seen serving small cups of coffee to those in a makeshift courtroom in the justice ministry headquarters in Brasília, where relatives of the dead have staged protests and demanded punishment for the two pilots. Technical problems plagued a session that lasted hours. The video connection broke down repeatedly, and the listeners on Long Island, including the pilots' Brazilian lawyer, learned that Portuguese turns into an indecipherable rumble if the hook-up is not perfect.

"I can't hear," said Mr. Paladino, who is from Westhampton Beach. "I'm sorry, forgive me; the audio's very difficult," he grimaced, as a Brazilian judge, Murilo Mendes, pressed ahead with question after question about how two planes could have ended up in the same spot in a deserted sky.

Treaty provisions permit this proceeding, and procedures are in place. The Justice Department works as a coordinator of sorts to make the legal sessions possible. There were the familiar trappings: an American flag in the Long Island frame (on the right screen in Central Islip) and the Brazilian flag behind Judge Mendes (left screen).

The proceedings began with the judge's statement that Mr. Paladino had the right to remain silent. The camera in Brasília panned the room once, showing an orderly crowd awaiting the latest in a trial that has proceeded in fits and starts since the fall of 2007. The testimony of Mr. Paladino and the other pilot on the Embraer Legacy 600, Joseph Lepore, is to be the last at their trial. A decision from the judge is expected in April.

The nightmare collision, the unlikely survival of the passengers on the smaller plane and the devastating fate of the Gol Airlines Boeing 737 in the dense Amazon rain forest drew wide attention. A writer who contributes to The New York Times, Joe Sharkey, happened to be on board the Legacy writing an article for another publication. He detailed his harrowing experience on The Times's front page, and was questioned by officials along with other surviving passengers in 2006. He is not involved in the criminal case.

In Brazil, the story of the death of children, a medical student, a captain of industry and others aboard the Boeing 737 has been something of a national obsession, tinged at times with rumor and anti-Americanism.

As in many trials, there were moments of high drama on Wednesday. The judge spoke firmly. A pause. The translator: "Your profession, please."

Another pause. Mr. Paladino, a pale 38-year-old, sat up a little straighter. "Pilot," he said.

The Brazilian prosecutors have accused the American pilots of committing an offense similar to criminally negligent homicide by flying when their radar might have been off, failing to follow their flight plan and flying at the wrong altitude. The pilots say they had no warning of any malfunction and followed the instructions of air-traffic controllers.

When those charges of carelessness came up, as they did repeatedly, Mr. Paladino spoke firmly as he described what it was like in the cockpit of the smaller plane, with seven aboard, as something rocked it in the air.

Still, it was not quite the confident voice pilots use over the public address system, as he spoke looking squarely at the big flat-screen television. "I wasn't even sure if it even involved another aircraft," he said as he described the growing emergency. With the equipment seeming to be working and the plane on course, he said, another plane out there over the Amazon seemed impossible.

"I could not believe," he said, "that an aircraft would be involved given all the things I just mentioned, and we would still be alive."

But if there were those moments that brought a stark reminder of what this proceeding was about, there were many more moments when the technology seemed to conspire against real emotion. Mr. Paladino gave an impassioned explanation to rebut the claim that the pilots might have turned off the transponder that sends a signal to keep track of planes.

Again, a pause. Then the translator: "O.K. There was a break-up in your answer."

In the courthouse, Mr. Paladino repeated himself again as he described those events over a faraway rain forest.

Next to Mr. Paladino was his Brazilian lawyer, Theo Dias, and next to him was Joel R. Weiss, his Long Island lawyer. Mr. Paladino described the last moment before the crash. He had spoken routinely to an air-traffic controller. Then, he said, "I started to transmit again, and then the collision occurred."

On the television in the small room, the translator was back from Brasília. "I'm sorry, repeat that, please," he said.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Piloto do Legacy envolvido em acidente da Gol é interrogado por videoconferência em Brasília

Piloto do Legacy envolvido em acidente da Gol é interrogado por videoconferência em Brasília

BRASÍLIA

O piloto americano Jean Paul Paladino está sendo interrogado neste momento pelo Juiz Federal de Sinop (MT) Murilo Mendes. Paladino é um dos dois pilotos do Legacy envolvido no acidente com o Boeing da Gol em Mato Grosso, em 2006, que resultou na morte de 154 pessoas. Paladino e o colega Joseph Lepore são acusados de negligência. Eles teriam deixado o transponder - equipamento anticolisão - desligado.

A secretária-geral da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 197 da GOL, Anne Caroline Rickli, espera que os pilotos do Legacy sejam condenados à prisão e percam o brevê - licença para pilotar - Eles têm que ser condenados pela Justiça brasileira, independentemente que voltem aqui para cumprir a pena. Eles têm de ser condenados à pena máxima - disse Anne, pouco antes do início da audiência.

Essa é primeira vez que um réu é interrogado em uma videoconferência internacional. O juiz e o promoter do caso estão em uma sala do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Os dois pilotos estão em Nova York.

A denúncia contra os pilotos foi aceita pela Justiça Federal em junho de 2007. Foram denunciados também quatro controladores de voo. O magistrado considerou a tese de que os crimes não estão previstos no Código Militar e que os seis devem ser julgados com base no Código Penal. No entendimento do juiz, o crime seria 'militar' se as aeronaves estivessem 'sob a guarda, proteção ou requisição militar', o que não aconteceu. "Não há portanto, como se acolher a tese - sustentada no inquérito pelo ilustre Delegado da Polícia Federal que esteve à frente das investigações - de que o julgamento dos controladores de vôo pela Justiça Militar estaria autorizado no Código Penal Militar", justificou o juiz.

Decision on Gol accident will be issued in April

'Decision on Gol accident will be issued in April', Federal judge says in hearing

Magistrate heard two flight controllers this Tuesday, in Brasília.

Testimony by Jan Paladino and Joseph Lepore is scheduled for Wednesday.
Jomarcelo dos Santos testified in hearing in Brasília

Federal judge Murilo Mendes heard, this Tuesday afternoon (March 29), the testimony of air traffic controllers Jomarcelo Fernandes dos Santos and Lucivaldo (sic,correct is Lucivando) Tibúrcio de Alencar, in the hearing that took place in the auditorium of the Regional Federal Tribunal (TRF). Mendes guaranteed that the trial on the accident between the Gol Boeing and the Legacy jet, on September 29, 2006, will be judge before it goes beyond the statute of limitations in June of this year. “This is the last act before the sentence and that will not go beyond the month of April."
Santos and Alencar worked in the flight control tower of Cindacta in Brasília, when the accident happened that took the lives of 154 people. In the trial, the two answer for the crimes of omission and negligence.

Still according to the judge, the defendants will have a time in which to respond on the case before the sentence. "Once the witnesses have all been heard, the court will open a period of three to five days for the sides to make their closing arguments before the sentence, which should take a total of 15 days", said Mendes.
The Federal judge will hear this Wednesday (March 31) the interrogation by videoconference of pilots Joseph Lepore and Jan Paul Paladino, scheduled for noon (Brasilia time).

During this Tuesday's hearing, which lasted about four hours, the magistrate mentioned a report by the Federal Police, informing that five of the six radio frequencies under the controllers' responsibility were turned off at the time of the accident. Confronted with this information, the two controllers denied the existence of the frequencies and contested the documents' conclusions. "Some of the frequencies may have been in the test phase and may not yet have been given to us", said controller Jomarcelo dos Santos.
Controllers

The Military Courts condemned, in October of 2010, sergeant Jomarcelo Fernandes dos Santos to a year and two months of detention, for manslaughter (when there is no intent to kill). He was one of the flight controllers working in air traffic control on the day of the accident between the Legacy and the Boeing. The sentence is being appealed.

Another four controllers – João Batista da Silva, Felipe Santos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar and Leandro José Santos de Barros – were absolved. They had been indicted by the Military Prosecutors' Office (MPM) for negligence and for having failed to observe military safety rules. Only Jomarcelo was indicted for manslaughter.

Sergeant Santos was accused of not informing of the turning off of the Legacy's anticollision signal and for not informing the officer who relieved him in air control of the change in the jet's altitude.

Demonstration by victims' relatives

The Association of Family and Friends of the Victims of Flight 1907 released a note informing that they will make peaceful protests, this Wednesday, during the North American pilots' testimony. The relatives will be on Long Island (New York), Porto Alegre, São Paulo and Manaus. They have asked for the maximum prison term and the immediate firings of Jan Paladinho and Joseph Lepore with the pulling of their pilots' licenses.

Decisão sobre acidente da Gol sai em abril

'Decisão sobre acidente da Gol sai em abril', diz juiz federal em audiência
Magistrado ouviu dois controladores de voo nesta terça-feira, em Brasília.

Depoimento de Jan Paladino e Joseph Lepore está programado para quarta.

Jomarcelo dos Santos prestou depoimento em audiência em Brasília

O juiz federal Murilo Mendes ouviu, na tarde desta terça-feira (29), o depoimento dos
controladores de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivaldo Tibúrcio de Alencar, na
audiência realizada no auditório do Tribunal Regional Federal (TRF). Mendes garantiu que o
processo sobre o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro de 2006, não vai prescrever em junho deste ano, sem julgamento. “Este é o último ato antes da sentença e isso não vai passar o mês de abril."

Santos e Alencar trabalhavam na torre de controle de voo do Cindacta de Brasília, quando ocorreu o acidente que matou 154 pessoas. No processo, os dois respondem pelos crimes de omissão e negligência.

Ainda de acordo com o juiz, os réus terão prazo para se pronunciar sobre o caso antes da sentença. "Concluindo o interrogatório, o juizado abre prazo de três a cinco dias para as partes fazerem as considerações finais antes da sentença, o que deve levar um total de 15 dias”, disse o Mendes.

O juiz federal deve ouvir, nesta quarta-feira (31), o interrogatório por videoconferência dos pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, o que está programado para às 12h (horário de Brasília). Durante a audiência desta terça-feira, que durou cerca de quatro horas, o magistrado fez menção a um laudo feito pela Polícia Federal, informando que cinco das seis frequências de rádio que estariam sob responsabilidade dos controladores estavam desligadas no momento do acidente.

Confrontados com essa informação, os dois controladores negaram a existência das frequencias e contestaram a conclusão do documento. “Algumas frequências poderiam estar em fase de teste e poderiam ainda não ter sido passadas para a gente”, disse o controlador Jomarcelo dos Santos.

Controladores

A Justiça Militar condenou, em outubro de 2010, o sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos a um ano e dois meses de detenção, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Ele era um dos controladores de voo que trabalhou no controle de tráfego aéreo no dia do acidente entre o Legacy e o Boeing. Cabe recurso.

Outros quatro controladores – João Batista da Silva, Felipe Santos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros – foram absolvidos. Eles haviam sido denunciados pelo Ministério Público Militar (MPM) por negligência e por deixar de observar as normas militares de segurança. Apenas Jomarcelo foi denunciado por homicídio culposo.
O sargento Santos foi acusado por não informar sobre o desligamento do sinal anticolisão do
Legacy e por não informar o oficial que o subsitutiu no controle aéreo sobre a mudança de altitude do jato.

Manifestações dos familiares das vítimas

Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 divulgaram nota informando que farão protestos pacíficos, nesta quarta-feira, durante o depoimento dos pilotos norte-americanos. Os familiares estarão em Long Island (Nova Iorque), Porto Alegre, São Paulo e Manaus. Eles pedem pena máxima de prisão e a demissão imediata de Jan Paladinho e Joseph Lepore com a cassação de suas autorizações para pilotar.