sábado, 4 de dezembro de 2010

"FAB não aceitaria retirada do controle de tráfego aéreo militar"

"FAB não aceitaria retirada do controle de tráfego aéreo militar"

Brigadeiro da reserva concorda com criação de secretaria para aviação civil, mas sem alterar militarização do controle aéreo

Severino Motta

O brigadeiro da reserva e ex-presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse ao iG que a Aeronáutica não concordaria com a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo formado somente por civis. De acordo com ele, a criação de uma secretaria com status de ministério para a área, como quer a presidente eleita Dilma Roussef, seria positiva, mas haver controle somente civil para os vôos regulares é algo “que nem se deve cogitar”.

“A Aeronáutica ri para essa história de tirar a aviação civil da Defesa. É bom para todos. O que é impensável é o controle aéreo global sair do comando militar”, disse.

Segundo o brigadeiro, a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo para a aviação civil, sem a presença militar, seria extremamente caro e na prática duplicaria os mecanismos de controle, uma vez que a Aeronáutica deve manter a defesa do espaço aéreo independentemente dos vôos comerciais.

“Ter somente controladores civis nos aeroportos, como é hoje em Garulhos, não tem problema. O que tem de ficar com comando militar é o controle do espaço aéreo, quem controla um avião entre dois aeroportos tem que ser militar, pois é o controle global. Quem faz isso lida também com aviões de traficantes, contrabandistas. Por isso precisa ser algo militar em contato com a Polícia Federal”, comentou.

A criação de um sistema de controle de tráfico desmilitarizado não está clara na proposta da presidente eleita. Por enquanto sabe-se da retirada da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do bojo da Defesa, além da estatal que administra os aeroportos, a Infraero - que deve ter seu capital aberto.

“A abertura do capital da Infraero é algo muito positivo e deve melhorar a qualidade dos serviços, pois haverá cobrança dos investidores. O que não se pode fazer é vender aeroportos inteiros, que bem administrados são fonte de renda”, disse Pereira.

No processo de migração dos órgãos de controle de avião civil que estão ligados à Defesa para uma secretaria, Pereira observa que um técnico deveria ser escolhido para comandar a nova pasta. "Quanto mais a Aeronáutica se afastar da aviação civil, melhor. O que precisa é colocar um técnico na nova secretaria, assim pode gerar resultados positivos”, pontuou.

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