quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Controlador condenado por acidente da Gol

Controlador condenado por acidente da Gol

Justiça Militar considerou culpado o sargento que trabalhava no dia da tragédia que deixou 154 mortos depois de colisão entre Boeing e jato sobre o Mato Grosso, em 2006




A Justiça Militar condenou ontem a um ano e dois meses de detenção, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), o sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos, controlador de voo que trabalhou no controle de tráfego aéreo no dia do acidente no voo 1907 da Gol, que deixou 154 mortos há quatro anos. Cabe recurso ao Superior Tribunal Militar (STM). A tragédia ocorreu em 29 de setembro de 2006, quando o avião da Gol se chocou no ar com um jato Legacy. O sargento foi condenado por 4 votos a 1.

Outros quatro controladores (João Batista da Silva, Felipe Saltos dos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros) foram absolvidos. Eles haviam sido denunciados pelo Ministério Público Militar (MPM) por negligência e por deixar de observar as normas militares de segurança.

O sargento Santos foi acusado por não informar sobre o desligamento do sinal anticolisão do Legacy e por não informar ao oficial que o subsitutiu no controle aéreo sobre a mudança de altitude do jato. O transponder é um sistema que alerta os pilotos sobre a proximidade de outra aeronave, para evitar choques em pleno ar.

O advogado do sargento, Roberto Sobral, afirmou que vai recorrer ao plenário do STM e ao Supremo Tribunal Federal (STF), se for necessário. Para Sobral, Santos não teria condições de atuar no controle por não falar inglês, considerando que dois pilotos norte-americanos conduziam o jato Legacy. Ele acusou a Justiça Militar de impedir a defesa de produzir provas que inocentariam os controladores. “É inaceitável. Não foi permitido provar que ele não fala inglês e estava obrigado a sentar em um console para coordenar voo de pilotos estrangeiros. Foi uma falha da sessão de pessoal da Aeronáutica. Não só essa, mas um conjunto de falhas que a Aeronáutica tem que reconhecer”, afirmou Sobral. Segundo o advogado, o sargento deve cumprir a pena em liberdade.

“Espero que o controlador de voo não se torne bode expiatório no caso do acidente do voo 1907. Os verdadeiros culpados pelo que aconteceu são os pilotos (do Legacy) Jan Paul Paladino e Joseph Lepore”. Foi desta maneira que Rosane Gutjahr, viúva de um dos passageiros que morreu no acidente, comentou a condenação do sargento Jomarcelo. “Não quero defender os controladores, mas eles tentaram avisar o avião (Legacy) sobre o que poderia acontecer, mas não conseguiram porque os pilotos do jatinho estavam na frequência errada de rádio”, comentou.

A juíza Vera Lúcia da Silva Conceição foi a única a votar pela absolvição de todos os controladores acusados de envolvimento no acidente. Para ela, mesmo que os acusados tenham cometido erros, o acidente teria sido evitado se o transponder do jato Legacy estivesse ligado no momento da colisão com a aeronave da Gol. “Por mais que os acusados tivessem errado, o acidente não teria ocorrido se o transponder do Legacy estivesse ligado. Por mais que haja condenação, a gente não pode ter esse sentimento de que esse processo vai fazer uma justiça em relação às mortes das 154 pessoas”, disse a juíza.

O DESASTRE

Em 29 de setembro de 2006, um Boeing da Gol que fazia o vôo 1907, de Manaus para Brasília, chocou-se com um jato Legacy que seguia de São José dos Campos (SP) rumo aos Estados Unidos. O Boeing caiu em uma região de floresta no Norte de Mato Grosso. O acidente deixou 154 mortos. O Legacy conseguiu pousar em uma base aérea no Sul do Pará. Após o pouso, verificou-se que o jato estava avariado na ponta da asa esquerda, mais precisamente em uma aba denominada winglet, e na extremidade esquerda do estabilizador horizontal, que é a superfície horizontal da cauda. Os sete ocupantes do jato sobreviveram.

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