quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Famílias vítimas do voo 1907 protestam contra impunidade de pilotos do Legacy

Famílias vítimas do voo 1907 protestam contra impunidade de pilotos do Legacy

ROGÉRIO PAGNAN DE SÃO PAULO

A associação das famílias vítimas do acidente da Gol lançou nesta segunda-feira em Curitiba (PR) uma campanha para protestar contra a falta de punição aos pilotos envolvidos no acidente do voo 1907 que deixou 154 mortos.

Entre terça e quarta-feira, estão previstas panfletagens em 23 locais (em especial aeroportos) de quatro capitais --São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

Batizada de "190 milhões de vítimas", o principal objetivo da campanha é cassar a autorização para pilotar dos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, tidos como os principais responsáveis pelo acidente.

"Se eles continuam pilotando, continuam colocando em risco a vida de muitas outras pessoas. Eles precisam ter o brevê cassado para não matar mais ninguém", disse a diretora da associação Rosane Gutjahr, que perdeu o marido no acidente.

Os dois estavam no Legacy que se chocou com o Boeing da Gol. Investigação Aeronáutica revelou que eles, além de outras irregularidades, desligaram o sistema anticolisão do avião que poderia ter evitado a tragédia.

A ação, que utilizará atores vestidos de pilotos com máscaras de terror representando os norte-americanos, faz parte da programação do quarto aniversário do acidente ocorrido em 29 de setembro de 2006.

Nos panfletos e cartões de visita dos "pilotos assassinos" distribuídos nesses locais haverá o endereço do site criado pela associação (www.190milhoesdevitimas.com.br).

Além de todas as informações sobre o acidente, a página funcionará como uma espécie de abaixo-assinado online para tentar pressionar o governo norte-americano a cassar a autorização.

O advogado Theodomiro Dias Neto, que defende os pilotos no Brasil, diz que a associação é seletiva.

"Ela [a associação] elegeu os pilotos como os únicos responsáveis pelo acidente. Desconsiderando, as conclusões do Cenipa e, principalmente, do relatório do NTSB, órgão de investigação de acidentes norte-americano, que aponta a responsabilidade primária do controle aéreo pelo acidente", disse.

"É absolutamente legítimo o pleito deles, mas as autoridades norte-americanas --após dois anos de investigação-- não viram motivos que justificassem o cancelamento da licença deles", completou o advogado.

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