sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Voo 1907: juiz dispensa testemunhas de pilotos americanos

Voo 1907: juiz dispensa testemunhas de pilotos americanos

19 de agosto de 2010 • 20h54 • atualizado às 21h24 Comentários

Direto de Cuiabá

O juiz federal substituto em Sinop (MT), Fabio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza, dispensou o interrogatório de seis pessoas apresentadas pela defesa dos pilotos americanos Jan Paul Paladino e Joseph Lepore. Eles conduziam o jato Legacy que se chocou com um avião da Gol que fazia o voo 1907, em 2006. Também foi descartada uma testemunha apresentada pelos controladores de voo que trabalharam no dia do acidente que matou 154 pessoas.

A decisão, tomada no dia 10 de agosto e divulgada nesta quinta-feira, dispensou Siraj Khan, Edward D. Henderson, David Rimmer, Henry Yadle, Rad Hastings e Frank Lynch. O magistrado considerou, também, que o depoimento do perito Christoph Gilgen, testemunha apresentada pelos controladores de voo, é dispensável porque ele falaria a respeito de informações colhidas de forma indireta, por análise de documentos e conversa com outras pessoas.

Na decisão, o juiz ressaltou que as testemunhas apresentadas pelos pilotos falariam sobre o desempenho profissional dos americanos, o que é dispensável, como também a oitiva de uma testemunha sobre as normas internacionais de aviação, especialmente sobre o relacionamento entre pilotos e controladores.

A defesa dos controladores solicitou análise de prova pericial na cobertura de radar e de rádio transmissão no sistema de controle de trafego aéreo brasileiro. O juiz destacou que o pedido da defesa dos controladores pretende mostrar que o sistema de controle de voo emite informações falsas de falhas e, habituados a tal comportamento do sistema, os controladores teriam acabado por tolerá-lo, sendo levados, assim, a não adotarem o procedimento adequado a uma situação de falha real.

O juiz pediu ao Comando da Aeronáutica e à Universidade de Brasília (UnB)a indicação de um profissional para prestar esclarecimentos sobre o sistema de controle de tráfego aéreo no Brasil. Foi nomeado o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que será ouvido por carta precatória.

O magistrado também acatou o pedido do Ministério Público Federal de Mato Grosso para ouvir o perito Roberto Peterka, que apontou conduta imprópria e negligência por parte dos pilotos.

O caso

A queda do voo 1907 ocorreu em 29 de setembro de 2006, em uma mata fechada a 30 km do município de Peixoto Azevedo (MT). O Boeing 737 da Gol saiu de Boa Vista (RR) com escala em Manaus (AM), Belém (PA) e Brasília e destino ao Rio de Janeiro e colidiu em pleno vôo com o jato Legacy. Todas as 154 pessoas a bordo morreram.

Segundo relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o acidente foi causado, entre outros fatores, pela desatenção e inexperiência dos pilotos americanos.

Já os controladores de voo do tráfego aéreo brasileiro também são apontados como responsáveis pelo acidente por transmitirem autorização de voo equivocada e não agirem ao notar a altitude inadequada para a rota da aeronave.

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