quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Attending U.S. request, Itamaraty diplomat asked judges to free American pilots

Attending U.S. request, Itamaraty diplomat asked judges to free American pilots

Roberto Maltchik and Paulo Marqueiro

BRASÍLIA and RIO - The United States made use of Brazilian diplomats to pressure the Judiciary to allow American pilots Joseph Lepore and Jan Paul Paladino - who piloted the Legacy jet when the aircraft collided with the Gol Boeing, on September 29, 2006, in Mato Grosso - to be freed to return to their country. In the accident, until then the worst in Brazilian commercial aviation, 154 people died, among passengers and crew of Flight 1907.

Documents sent by the American Embassy in Brasilia to the Department of State in the US, released by the WikiLeaks group, detail the moves to hurry the pilots' return home. In a confidential telegram of November 17, 2006, American Embassy counselor Phillip Chicola relays Consul-General Simon Henshaw's request to the director of the Department of Brazilian Overseas Communities, ambassador Manoel Gomes Pereira, to take to the judges of the Regional Federal Tribunal for the 3rd Region "our concerns" about the pilots situation:

"Our lawyer suggests that, if the pilots' appeal were to be rejected, we consider a discreet approach to the Minister (sic) of Justice, asking that he (sic) make contract with the Superior Tribunal"

"Ambassador Pereira said that he would bring our concerns to the Court which is analyzing the pilots' request to leave Brazil. He said that he will do this orally, because he fears that a formal written communication could generate a reaction against the pilots", said Chicola.

Exactly a week later, Chicola sent a new telegram, this time to say that the Brazilian diplomat had sent the message. However, Gomes Pereira warned that repeating this kind of contact could harm the pilots:

"Ambassador Manoel Gomes Pereira called CG November 21 to say he had contacted two of the justices hearing the pilots' appeal and passed on our concerns. He advised that no further action be taken until the ruling as the justices were sensitive to outside pressure. Chicola"

O GLOBO had access to nine telegrams, five of them confidential, leaked by WikiLeaks on the theme. The documents showed that there was fear that the Americans would be detained for a long period. At the time of the behind-the-scene maneuvers, society already knew that Paladino and Lepore were traveling in Brazilian air space with the transponder - a device that shows a dangerously close approach between two aircraft - turned off. It was also public that they were at the wrong altitude in relation to the flight plan.

On December 1st, ambassador Clifford Sobel relates, in another confidential message, that the "confused Brazilian legal procedure" makes the decision "slower than it should be". He reaffirmed that new actions to pressure the judges could be ill-interpreted. However, he bets on a "courtesy visit" to the Brazilian Embassy in Washington in search of government support for freeing the pilots."

"The embassy is not opposed to Washington approaching the Brazilian embassy, since this could be portrayed as a courtesy visit and not as additional pressure."
However, Sobel prepared the Department of State for an eventual defeat in the TRF.

He reveals that the lawyer for the American pilots believes that, in this case, he will win in the Superior Tribunal of Justice (STJ). The Ambassador reminds Washington that the lawyer is Théo Dias, son of ex-minister of Justice José Carlos Dias.

"The pilots' lawyer (son of an ex-Minister of Justice) believes that if he fails at the federal court he will win at the instance above, the Superior Tribunal of Justice. Our lawyer suggest that, if the pilots' appeal is rejected, to consider a discreet approach to the minister [sic] of Justice, asking that he [sic] contact the Superior Tribunal", said Sobel in the telegram.

The same telegram reveals that Sobel shared with the Department of State his frustration with the manner in which the investigations of the case were being conducted.But he warns that it would be better to wait for the pilots to leave to only after criticize the fact.

On December 5, the TRF conceded the habeas corpus, which guaranteed to Paladino and Lepore the right to return to the US. The Court's three judges understood that the law does not provide for restricting the liberty to come and go of foreigners. It is not possible to know, in the midst of the telegrams revealed by WikiLeaks, if the American pressure influenced the Judiciary's decision.

The pilots left the country on December 8, 2006, after having being charged by the Federal Police based on Article 261 of the Criminal Code (expose to danger a ship or aircraft, one's own or another's.).

Opinion of the opposition and of society

"(The Lula government) can maintain an important program of income redistribution, but it is absolutely incapable of dealing with major structural problems, which has resulted in six months of aviation chaos."

Among the numerous updated reports on the aviation chaos - always punctuated with references to the behavior of society in relation to the pilots' responsibility in the Gol Boeing tragedy - what stands out is a long conversation between American diplomats and Congressman ACM Neto (DEM-Bahia). After registering the opposition congressman's heavy criticisms of policies for meeting the crisis, Sober affirms that the congressman reinforces the conviction that the Lula government continued to suffer "from a profound lack of competence in executive decisions":

"It (the government) can maintain an important income distribution program, but is absolutely incapable of dealing with large structural problems, which has resulted in six months of aviation chaos. In a country the size of Brazil, where air travel is essential, this represents an enormous leadership failure by Lula", the United States Ambassador affirmed.

Acidente da GOL: EUA buscaram Itamaraty e PF para tirar pilotos do país

Acidente da GOL: EUA buscaram Itamaraty e PF para tirar pilotos do país

Em 29 de setembro de 2006, o pior acidente da história da aviação brasileira aconteceu na Serra do Cachimbo, no Mato Grosso.

Um jato particular Legacy, da empresa americana ExcelAire, se chocou com o avião do voo 1907 da GOL. Todos os 154 passageiros da GOL morreram.

Os pilotos americanos que conduziam o jato, Joe Lepore e Jan Paladino, foram acusados de negligência – eles teriam desligado o transponder, equipamento que alerta para a possibilidade de uma colisão – mas acabaram inocentados pela Justiça Federal de Mato Grosso.

O acidente do Boeing 737 da GOL evidenciou o caos aéreo causado pelo aumento do tráfego sem um aumento do número de controladores aéreos. Os controladores, subordinados à Aeronáutica, trabalhavam longas horas e em péssimas condições. No caso do acidente, controladores acusaram que haviam “pontos cegos” em plena rota de aviões, o que dificultava seu trabalho.

Telegramas a serem publicados hoje pelo WikiLeaks mostram que a embaixada americana contactou o Itamaraty, a Polícia Federal e o judiciário para tirar os pilotos americanos do país.

Atendendo aos EUA, o Itamaraty interveio junto à justiça em nome dos pilotos.

Itamaraty ajuda EUA a pressionar justiça

Preocupados com a possível condenação dos seus pilotos, em outubro de 2006, os EUA enviaram 3 funcionários do Conselho de Segurança de Transportes (NTSB) e um da Administração Federal de Aviação (FAA) ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto as investigações.

Por sua vez, a embaixada dos EUA se preocupou principalmente com uma coisa: tirar os pilotos americanos do Brasil assim que liberados através do habeas corpus – eles não estavam presos, mas seus passaportes estavam retidos e eles não podiam sair do país.
Em novembro de 2006, o cônsul-geral Simon Henshaw interveio junto ao Itamaraty para pedir que interviesse junto à justiça.

Um telegrama do dia 17 de novembro mostra que o diretor das Comunidades Brasileiras no Exterior do Ministério das Relações Exteriores, Manoel Gomes Pereira, disse que iria transmitir “oralmente” a preocupação do governo dos EUA, pois “temia que qualquer comunicação por escrito pudesse causar repercussão contrária aos pilotos”.

No dia 21, Manoel Gomes Pereira telefonou para o cônsul-geral dizendo que ligara pessoalmente para dois dos juízes trabalhando no caso do acidente, explicando a preocupação dos EUA.

Restava esperar. ”Ele recomendou que não se tomassem mais ações até o julgamento, pois os juízes são sensíveis a pressões externas”, relatou o telegrama.

Ligando para a PF

Em 1 de dezembro de 2006, o embaixador Clifford Sobel escreveu a Washington dizendo acreditar “ser apenas uma questão de tempo” até os pilotos do Legacy conseguirem a autorização para sair do país.

Sobel ligou para o delegado da PF Renato Sayao, responsável pelo inquérito policial, para perguntar sobre o habeas corpus.

“Contactado pela embaixada, Sayao disse ser improvável mas possível que os pilotos sejam formalmente acusados. Ele disse também que o mais provável é que os controladores aéreos sejam culpabilizados pelo acidente. Mesmo se formalmente acusados, Sayao disse que os pilotos poderiam provavelmente sair do país, mas notou que isso é uma decisão da justiça e não dele”.

O embaixador nota também que a opinião pública estava mais favorável aos pilotos americanos depois que foi ficando clara a proporção do caos aéreo - no começo, diz ele, estava bastante contra os americanos.

Mirando o STJ

Sobel observa também que os pilotos e executivos da ExcelAire estavam sendo representados no Brasil pelo escritório de advocacia de José Carlos Dias, o mesmo que representa a embaixada.

Ele reforça que o advogado da embaixada, Théo Dias, é “filho de um ex-ministro da justiça”

“Ele nos alertou para não fazer muita pressão sobre as cortes, dizendo que elas têm orgulho da sua independência e normalmente não cedem a tais pressões, algumas veses produzindo o efeito contrário para provar sua independência”.

Em seguira, o advogado explicou que se o pedido de habeas corpus não fosse atendido, o recurso iria para o Superior Tribunal de Justiça.

“Nosso advogado sugeriu que se o pedido (de habeas corpus) dos pilotos for rejeitado, nós consideremos uma intervenção discreta junto ao Ministério da Justiça, pedindo que eles contactem o Tribunal Superior”.

Sobel encerra o telegrama lembrando que o MRE já havia intercedido junto a dois juízes em favor dos pilotos americanos.

“Nós não acreditamos que mais pressão vai produzir resultados positivos”, explica Sobel. “Entretanto, a embaixada (em Brasília) não se opõe a Washington procurar a embaixada brasileira, pois isso pode ser visto como uma continuação dos pedidos ja feitos e não como pressão extra”.

Ele conclui que a embaixada estava “frustrada” com a maneira que a investigação foi conduzida – mas era melhor esperar para reclamar “depois que os pilotos tenham deixado o Brasil”.

Processo contra pilotos segue até hoje

Em 5 de dezembro de 2006, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu o habeas corpus aos pilotos norte-americanos, que se compormeteram a comparecer durante a ação penal no Brasil.

Em 8 de dezembro de 2008 o juiz federal de Sinop, Mato Grosso, absolveu-os de negligência, mas manteve outras acusações. Pouco mais de um ano depois, em janeiro de 2010, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu a absolvição por negligência nos procedimentos de emergência e falha de comunicação. O caso voltou à primeira instância.

As famílias das vítimas seguem organizadas e exigindo punições contra os pilotos. Chegaram a acionar a justiça americana em Nova York, mas o juiz americano Brian M. Cogan negou que a justiça dos EUA pudesse julgar o caso. O juiz também dispensou os pilotos da obrigação de prestar depoimento no Brasil.

Embora estejam respondendo a processo criminal no Brasil, Paladino segue trabalhando na American Airlines e Lepore na Excel Air.

A intervenção americana no caso do Legacy demonstra como o governo dos EUA age no exterior – chegando a intervir junto ao governo, à polícia e à justiça locais – para proteger os cidadãos americanos. E como o governo brasileiro atende a tais pedidos.

Mas o governo dos EUA usam também outras formas de pressão, como vai mostrar uma reportagem a ser publicada à tarde neste

WikiLeaks revela que Brasil ajudou EUA a tirar pilotos do Legacy

WikiLeaks revela que Brasil ajudou EUA a tirar pilotos do Legacy

Pelo menos um embaixador brasileiro telefonou para os juízes intercedendo pelos americanos e que o embaixador dos EUA na época, Clifford Sobel, soube por antecipação que os pilotos seriam liberados para voltar.

Joe Lepore era um dos pilotos norte-americanos do jato Legacy que se chocou com o avião da Gol em 2006. Foto: Hélvio Romero/ AE São Paulo - O governo brasileiro ajudou o dos Estados Unidos a pressionar juízes brasileiros para que os pilotos norte-americanos do jato Legacy envolvido no desastre do voo 1907 da Gol, em 2006, pudessem sair do Brasil e voltar ao seu país.

Inúmeros telegramas obtidos pela ONG WikiLeaks (www.wikileaks.ch) confirmam que pelo menos um embaixador brasileiro telefonou para os juízes intercedendo pelos americanos e que o embaixador dos EUA na época, Clifford Sobel, soube por antecipação que os pilotos seriam liberados para voltar. As informações foram publicadas no site da Folha.

O acidente ocorreu em 29 de setembro de 2006, quando o Legacy se chocou em pleno ar com um Boeing da Gol que fazia a rota Manaus Brasília com 154 pessoas. O Boeing caiu, sem sobreviventes, no então maior acidente da aviação brasileira.

Os pilotos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que conseguiram pousar o avião em Mato Grosso, foram acusados de voar com o transponder desligado.

Isso impediu que os radares do sistema de controle de voo em Brasília identificassem que o jato voava numa altitude errada e que os sistemas anticolisão dos dois aviões "conversassem" e evitassem o acidente.

Proibidos de sair do Brasil, Lepore e Paladino tiveram ajuda não apenas dos diplomatas dos EUA, mas do próprio governo brasileiro, conforme os telegramas do WikiLeaks. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado a esses documentos.

Em um telegrama confidencial de 17 de novembro de 2006, enviado pela embaixada dos EUA em Brasília para Washington, está escrito que o embaixador Manoel Gomes Pereira "repassaria" as "preocupações" dos norte-americanos ao tribunal que daria ou não o direito de os pilotos deixarem o Brasil.

"Ele [Pereira] disse que faria isso oralmente, pois teme que comunicação escrita possa produzir efeito contrário aos pilotos", diz o texto.

Em 24 de novembro, a diplomacia dos EUA escreve: "O embaixador Manoel Gomes Pereira telefonou para o cônsul-geral Simon Henshaw e disse que havia contatado dois dos juízes do processo dos pilotos e transmitiu as nossas preocupações".

Com apenas um parágrafo, o documento termina com um alerta: "Ele [o brasileiro] recomenda que nenhuma ação extra seja tomada até a decisão pois os juízes são sensíveis a pressão externa".

Nove dias depois, em 5 de dezembro de 2006, a Justiça Federal concedeu habeas corpus para Lepore e Paladino. Eles receberam seus passaportes e voltaram no dia 8 para os EUA, onde foram recebidos em festa, para revolta das famílias das vítimas.

Dias antes de a Justiça Federal liberar os pilotos, a diplomacia norte-americana já demonstrava segurança sobre como seria a sentença.

Num telegrama de 1º de dezembro de 2006, o então embaixador americano Clifford Sobel escreveu: "É só uma questão de quando, e não de se, para que os pilotos do Legacy (...) sejam autorizados a deixar o Brasil".

Procurado, o Itamaraty disse que não ia comentar, por não ter conhecimento do conteúdo dos telegramas.

WIKILEAKS: Documento destaca acusação contra controladores em colisão aérea; leia em inglês

Documento destaca acusação contra controladores em colisão aérea; leia em inglês
DE SÃO PAULO

UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY

UNCLAS SECTION 01 OF 03 BRASILIA 001006 SIPDIS SENSITIVE SIPDIS DEPARTMENT FOR CA/OCS AND WHA/BSC DEPT FOR EB/TRA JHORWITZ, JREIFMAN, KGUSTAFSON STATE FOR CA/OCS TSA FOR VREEDER, SHASMAN SIPDIS FAA FOR CTFRANCESCHI, CCAPESTANY, MASHBY DEPT OF TRANSPORTATION FOR BHEDBERG BUENOS AIRES PASS TSA/JOCHOA E.O. 12958: N/A TAGS: CASC, EAIR, PGOV, BR

Veja como funciona o WikiLeaks
Veja as principais revelações do WikiLeaks
Leia a cobertura completa sobre WikiLeaks
Leia íntegra dos arquivos do WikiLeaks obtidos pela Folha

SUBJECT: Update on GOL-Legacy Crash Legal Case Ref: Brasilia 600 and previous

1. (SBU) Summary: In a surprise move, the Brazilian federal prosecutor in charge of the criminal investigation into the September 29 air collision between a business jet and GOL airliner indicted four air traffic controllers for the accident, one on serious charges of having acted deliberately. The federal police investigation had only recommended the indictment of the U.S. citizen pilots of the business jet. The prosecutor indicted the pilots, and three other controllers, on less serious charges. The federal judge in charge of the case accepted the indictments and set dates for questioning of the defendants on August 27 and 28. It is unclear whether the U.S. pilots will be required to return for testimony. The accusations against the controllers were repeated in Brazilian Senate committee hearings on the accident and caused a sea change in press reporting on the issue. End Summary.

2. (U) Brazilian federal prosecutor Thiago Lemos de Andrade indicted Brazilian air traffic controller Jomarcelo Fernandes dos Santos for intentional criminal conduct that led to the September 29, 2006 air collision between a Legacy business jet and a GOL commercial airliner. (All 154 persons aboard the GOL flight perished, making this the worst aviation accident in Brazilian history.) The prosecutor made this request to federal judge Murilo Mendes in Sinop, Mato Grosso, the capital of the state in which the accident took place, on May 25. The recommendation came as a surprise to observers as the Federal Police report submitted to the prosecutor, after a seven-month investigation, did not recommend action against controllers, claiming that as they were in the military they were beyond civilian purview.

3. (U) The prosecutor also recommended indictments of three other controllers and the two U.S. citizen Legacy pilots, Joseph Lepore and Jan Paladino, for unintentional criminal conduct. In the pilots' case, this was for involuntary manslaughter and exposing an aircraft to danger. The prosecutor claimed the pilots accidentally turned off their transponder, disabling both airplanes' collision avoidance systems and limiting air traffic controllers' ability to confirm the Legacy's altitude. The federal police report focused on the actions of the pilots.

4. (U) In the case of the controllers, the prosecutor claims that Santos did not properly inform the controllers who took over for him after his shift that the Legacy's transponder was not functioning and that he had been unable to contact the plane.

5. (U) Judge Mendes issued an order accepting the indictments on June 1, setting dates for questioning of the defendants on August 27 and 28. His order states that the U.S. pilots will be required to testify in Brazil.

6. (SBU) The pilots' lawyers, after a preliminary analysis of the order, believed that the pilots may be able to make a deposition in front of a U.S. court for use by the Brazilian authorities.

7. (U) The indictment against the controllers was mirrored by a similar change of focus in the Brazilian Senate Investigative Committee (CPI) created to look into the accident and in Brazilian press coverage. Previously, press coverage had focused on the Legacy pilots as the major culprits of the accident. Following the indictment, most articles focused on culpability of the controllers, while describing the pilots as secondary contributors to the accident.

8. (U) A chief member of the CPI and Brazilian air officials laid the chief blame for the accident on controllers during hearings held the week of May 28. Senator Demostenes Torres, who will draft the final CPI report, said that Santos, the flight controller, was most to blame. His statement followed testimony from three military BRASILIA 00001006 002 OF 003 flight controllers, on duty during the midair collision, who told the CPI that they blamed the American pilots of the Legacy jet and faulty air traffic control equipment for the accident. The controllers claimed that the Legacy pilots should have adjusted their altitude according to the flight plan and criticized Brazil's air traffic control system. Demostenes replied that "the [air traffic control] system has shortcomings, but the [Gol] accident had human causes, especially on the part of [military controller] Jomarcelo [Santos]. The Legacy pilots also contributed decisively." Officials of the Brazilian Air Force's Center for the Investigation and Prevention of Aeronautical Accidents (CENIPA) later told the CPI that the crash of the Gol flight could have been prevented by the controllers who were on duty. "If all the rules had been followed, there would have been no accident," according to Brigadier Jorge Kersul.

9. (U) The Brazilian Air Force announced on May 31 that it would open an investigation into the responsibilities of the flight controllers who were on duty the day of the Gol airliner crash. According to press reports, the inquiry could take up to two months and after this period the air traffic controllers might be tried by military justice.

10. (U) The Brazilian indictment process is very different than the U.S. process. The first step was completed when the Federal Police finished their investigation, known as an "inquerito," the purpose of which was to determine the facts of the case. They then submitted a "relatorio" (report) to the prosecutor. (The "relatorio" makes an "indiciamento" of those whom the police believe qualify as having committed a crime, though this is not an indictment in U.S. sense, but closer to a recommendation for indictment.) The prosecutor then indicted those he considered guilty. The federal judge has now accepted the indictments and those indicted are now defendants.

11. (U) The first ruling of the court ordered service of summons on the defendants, so that they were officially informed of the indictments. As the pilots do not reside in Brazil, service of summons would have to be carried out in the place of their domicile by means of a letter rogatory. Thereafter begins the evidentiary phase: the court will question the defendants. Subsequently, the judge would question witnesses for the prosecution and then witnesses for the defense. At some point, the court will be provided documents by the parties, such as the final report of the Air Force, and perhaps proceedings of the CPI. Eventually the prosecutor and defense counsel will file their final briefs and the court will issue a decision. There is no jury and there is no trial in the U.S. sense (the case is "on trial," mostly in writing, from the moment the judge accepts the indictment). In every criminal case, there is the possibility of appeal, and the Federal Court of Appeals, in Brasilia, would reexamine the facts in the case of an appeal.

12. (SBU) Comment: The indictment of the air traffic controllers caused a second sea change in the tone of press coverage on the culprits of Brazilians worst ever aviation accident. For the first month after the accident, the Legacy pilots were vilified as cowboys whose dangerous flying led to the accident. As problems with Brazilian air traffic control systems then became apparent, press coverage went through its first metamorphosis and turned to the role of the air traffic control systems in the accident, while still claiming that the Legacy pilots' "incompetence" was a major factor. Now the air traffic controllers, who assigned both aircraft to the same path and altitude, have taken center stage, with the Legacy pilots moving into a secondary role.

13. (SBU) Comment continued: It is interesting that the prosecutor decided to indict the controllers despite the federal police's claim that they were under the military justice system and therefore could not be indicted by civilian courts. It is unclear why, eight months BRASILIA 00001006 003 OF 003 after the accident, the Air Force has now decided to start its own criminal investigation of the controllers, although it may be an attempt to remove them from the civilian criminal system. SOBEL

Devido ao risco de caos aéreo, Dilma desiste de criar ministério de Portos e Aeroportos

Devido ao risco de caos aéreo, Dilma desiste de criar ministério de Portos e Aeroportos

Informe que alerta para a iminência de uma crise no setor aéreo foi decisivo para a decisão da presidente eleita

A presidente eleita, Dilma Rousseff, desistiu de criar imediatamente o Ministério de Portos e Aeroportos para entregar ao PSB por causa de um informe que recebeu do serviço de informação do governo federal.

Esse informe diz que o país está na iminência de enfrentar uma crise "brutal" no setor aéreo, inclusive com a paralisação de serviços e das companhias, o que desaconselha qualquer mudança na estrutura.

Os relatos que chegaram à presidente e que foram repassados ao PSB indicam grave risco de caos aéreo já nos próximos dias e que essa situação deve se prolongar durante o feriado de Ano-Novo e avançar até o final das férias de verão.

Diante disso, a presidente eleita e o PSB consideraram que é melhor manter a secretaria de Portos tal como funciona hoje e deixar para criar um ministério de Portos e Aeroportos somente depois de superada a crise que se avizinha.

Juiz nega pressão do Itamaraty a favor dos pilotos do Legacy

Juiz nega pressão do Itamaraty a favor dos pilotos do Legacy

Ele foi um dos magistrados que deram habeas corpus para os dois

Um dos três juízes federais que deram habeas corpus aos pilotos do jato Legacy que colidiu com o avião da Gol em 2006, o desembargador Cândido Ribeiro negou ter sido contatado pelo Itamaraty a respeito. No acidente, morreram 154 pessoas.

Telegramas de diplomatas americanos obtidos pela ONG WikiLeaks (www.wikileaks.ch) e publicados ontem afirmam que integrantes do Ministério das Relações Exteriores procuraram juízes do caso para interceder pelos pilotos, que acabaram sendo autorizados a voltar aos EUA.

Joseph Lepore e Jan Paladino, que conseguiram pousar o avião em Mato Grosso, foram acusados de voar com o transponder (equipamento que, em tese, evita o choque com outro avião) desligado.

Quatro dias antes de eles conseguirem o habeas corpus, o então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, escreveu um telegrama em que dizia: "É só uma questão de quando, e não de se, para que os pilotos do Legacy (...) sejam autorizados a deixar o Brasil".

A confiança da diplomacia americana na decisão que seria tomada, para o desembargador ouvido pela Folha, pode ser explicada pelo fato de os advogados dos pilotos no Brasil conhecerem bem a jurisprudência do tribunal.

"Posso lhe assegurar que ninguém foi contatado por ninguém", disse Ribeiro, hoje corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Os outros magistrados do caso, Fernando da Costa Tourinho Neto e Jamil Rosa de Jesus, não foram localizados. O TRF da 1ª Região disse que não se pronunciaria.
Para o presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, os documentos publicados pelo site devem ser vistos com certa ressalva porque muitas vezes mostram um lado fantasioso. Ele disse não ver indícios para a abertura de investigação.

Já para advogada Maristela Basso, professora de direito internacional da USP, o caso deve ser investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por tratar-se de uma notícia de interferência do Executivo no Judiciário. "Isso não é ilegal, mas é imoral", disse.

Já Rosane Gutjahr, diretora da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas, achou a notícia "desoladora". "Desde o início sentíamos que muitas coisas estranhas estavam acontecendo. Como confiar agora num Estado que está aí para nos defender? É muito triste", disse

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SUBJECT: Update on GOL-Legacy Crash Legal Case Ref: Brasilia 600 and previous 1. (SBU) Summary: In a surprise move, the Brazilian federal prosecutor in charge of the criminal investigation into the September 29 air collision between a business jet and GOL airliner indicted four air traffic controllers for the accident, one on serious charges of having acted deliberately. The federal police investigation had only recommended the indictment of the U.S. citizen pilots of the business jet. The prosecutor indicted the pilots, and three other controllers, on less serious charges. The federal judge in charge of the case accepted the indictments and set dates for questioning of the defendants on August 27 and 28. It is unclear whether the U.S. pilots will be required to return for testimony. The accusations against the controllers were repeated in Brazilian Senate committee hearings on the accident and caused a sea change in press reporting on the issue. End Summary.

2. (U) Brazilian federal prosecutor Thiago Lemos de Andrade indicted Brazilian air traffic controller Jomarcelo Fernandes dos Santos for intentional criminal conduct that led to the September 29, 2006 air collision between a Legacy business jet and a GOL commercial airliner. (All 154 persons aboard the GOL flight perished, making this the worst aviation accident in Brazilian history.) The prosecutor made this request to federal judge Murilo Mendes in Sinop, Mato Grosso, the capital of the state in which the accident took place, on May 25. The recommendation came as a surprise to observers as the Federal Police report submitted to the prosecutor, after a seven-month investigation, did not recommend action against controllers, claiming that as they were in the military they were beyond civilian purview.

3. (U) The prosecutor also recommended indictments of three other controllers and the two U.S. citizen Legacy pilots, Joseph Lepore and Jan Paladino, for unintentional criminal conduct. In the pilots' case, this was for involuntary manslaughter and exposing an aircraft to danger. The prosecutor claimed the pilots accidentally turned off their transponder, disabling both airplanes' collision avoidance systems and limiting air traffic controllers' ability to confirm the Legacy's altitude. The federal police report focused on the actions of the pilots.

4. (U) In the case of the controllers, the prosecutor claims that Santos did not properly inform the controllers who took over for him after his shift that the Legacy's transponder was not functioning and that he had been unable to contact the plane.

5. (U) Judge Mendes issued an order accepting the indictments on June 1, setting dates for questioning of the defendants on August 27 and 28. His order states that the U.S. pilots will be required to testify in Brazil.

6. (SBU) The pilots' lawyers, after a preliminary analysis of the order, believed that the pilots may be able to make a deposition in front of a U.S. court for use by the Brazilian authorities.

7. (U) The indictment against the controllers was mirrored by a similar change of focus in the Brazilian Senate Investigative Committee (CPI) created to look into the accident and in Brazilian press coverage. Previously, press coverage had focused on the Legacy pilots as the major culprits of the accident. Following the indictment, most articles focused on culpability of the controllers, while describing the pilots as secondary contributors to the accident.

8. (U) A chief member of the CPI and Brazilian air officials laid the chief blame for the accident on controllers during hearings held the week of May 28. Senator Demostenes Torres, who will draft the final CPI report, said that Santos, the flight controller, was most to blame. His statement followed testimony from three military

BRASILIA 00001006 002 OF 003

flight controllers, on duty during the midair collision, who told the CPI that they blamed the American pilots of the Legacy jet and faulty air traffic control equipment for the accident. The controllers claimed that the Legacy pilots should have adjusted their altitude according to the flight plan and criticized Brazil's air traffic control system. Demostenes replied that "the [air traffic control] system has shortcomings, but the [Gol] accident had human causes, especially on the part of [military controller] Jomarcelo [Santos]. The Legacy pilots also contributed decisively." Officials of the Brazilian Air Force's Center for the Investigation and Prevention of Aeronautical Accidents (CENIPA) later told the CPI that the crash of the Gol flight could have been prevented by the controllers who were on duty. "If all the rules had been followed, there would have been no accident," according to Brigadier Jorge Kersul.

9. (U) The Brazilian Air Force announced on May 31 that it would open an investigation into the responsibilities of the flight controllers who were on duty the day of the Gol airliner crash. According to press reports, the inquiry could take up to two months and after this period the air traffic controllers might be tried by military justice.

10. (U) The Brazilian indictment process is very different than the U.S. process. The first step was completed when the Federal Police finished their investigation, known as an "inquerito," the purpose of which was to determine the facts of the case. They then submitted a "relatorio" (report) to the prosecutor. (The "relatorio" makes an "indiciamento" of those whom the police believe qualify as having committed a crime, though this is not an indictment in U.S. sense, but closer to a recommendation for indictment.) The prosecutor then indicted those he considered guilty. The federal judge has now accepted the indictments and those indicted are now defendants.

11. (U) The first ruling of the court ordered service of summons on the defendants, so that they were officially informed of the indictments. As the pilots do not reside in Brazil, service of summons would have to be carried out in the place of their domicile by means of a letter rogatory. Thereafter begins the evidentiary phase: the court will question the defendants. Subsequently, the judge would question witnesses for the prosecution and then witnesses for the defense. At some point, the court will be provided documents by the parties, such as the final report of the Air Force, and perhaps proceedings of the CPI. Eventually the prosecutor and defense counsel will file their final briefs and the court will issue a decision. There is no jury and there is no trial in the U.S. sense (the case is "on trial," mostly in writing, from the moment the judge accepts the indictment). In every criminal case, there is the possibility of appeal, and the Federal Court of Appeals, in Brasilia, would reexamine the facts in the case of an appeal.

12. (SBU) Comment: The indictment of the air traffic controllers caused a second sea change in the tone of press coverage on the culprits of Brazilians worst ever aviation accident. For the first month after the accident, the Legacy pilots were vilified as cowboys whose dangerous flying led to the accident. As problems with Brazilian air traffic control systems then became apparent, press coverage went through its first metamorphosis and turned to the role of the air traffic control systems in the accident, while still claiming that the Legacy pilots' "incompetence" was a major factor. Now the air traffic controllers, who assigned both aircraft to the same path and altitude, have taken center stage, with the Legacy pilots moving into a secondary role.

13. (SBU) Comment continued: It is interesting that the prosecutor decided to indict the controllers despite the federal police's claim that they were under the military justice system and therefore could not be indicted by civilian courts. It is unclear why, eight months

BRASILIA 00001006 003 OF 003

after the accident, the Air Force has now decided to start its own criminal investigation of the controllers, although it may be an attempt to remove them from the civilian criminal system.

SOBEL

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Câmara aprova criação de 100 cargos de controlador de voo

Câmara aprova criação de 100 cargos de controlador de voo

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta terça-feira o projeto de lei do Executivo que cria 100 cargos de controlador de tráfego aéreo. O projeto segue para análise do Senado, caso não haja recurso para votação pelo Plenário da Câmara. As informações são da Agência Câmara.

O relator, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), votou pela aprovação nos termos da emenda da Comissão de Finanças e Tributação, que estabelece que a criação dos cargos só poderá ser efetivada se houver aprovação final dos recursos com esse fim na Lei Orçamentária Anual (LOA). O impacto anual previsto da proposta, apresentada em 2008, era de R$ 5.781.506,26, com pagamento de um salário inicial de R$ 3.417 a cada controlador. Agora, segundo dados do Comando da Aeronáutica repassados ao deputado Ciro Pedrosa (PV-MG), o valor dos gastos está estimado em R$ 6.173.682,86 anuais.

Uma das justificativas do projeto foi a dificuldade do setor em acompanhar o aumento do número de voos, o que gera a "vulnerabilidade do sistema, comprometendo a capacidade do setor de oferecer um serviço de acordo com os padrões de confiabilidade necessários para transmitir segurança à população". Em 2008, havia apenas 160 cargos dessa natureza no Comando da Aeronáutica, segundo a proposta.

Os cargos criados pelo projeto são civis e deverão ser preenchidos por concurso público de nível médio. O projeto de lei 3943/08 foi aprovado em caráter conclusivo - quando não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Prepare-se: caos aéreo à vista

Prepare-se: caos aéreo à vista

Com o descaso dos órgãos reguladores, empresas devem impor sérios transtornos aos passageiros no fim de ano. Classe C dominará viagens

ROSANA HESSEL

AVIAÇÃO

Os brasileiros que pretendem viajar de avião no fim do ano podem se preparar para o pior. A convocação das seis maiores companhias aéreas (TAM, Gol, Webjet, Azul, Avianca e Trip) feita pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o intuito de traçar um plano para evitar um apagão nos aeroportos no Natal e no ano-novo, dificilmente dará resultado, diante do descaso do governo em punir de forma rigorosa as empresas, do descompromisso das companhias — preocupadas apenas em faturar mais — e do forte crescimento do número de passageiros.

O tamanho da tormenta que está por vir pode ser medido pela inércia da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), responsável pela gestão e pela operação dos aeroportos. Todas as obras para a melhoria do atendimento ao público estão atrasadas, sem que ninguém tenha de prestar contas da ineficiência. Na Anac, como ninguém quer assumir publicamente compromissos com a população, a opção é pelo silêncio. Já as empresas repetem o mantra de que “estão preparadas” para o aumento da demanda no fim do ano. Mas também não apresentam nenhum plano concreto de ação.

Perante esse quadro desalentador, serão os passageiros a arcar com a fatura de transtornos, que têm se repetido cada vez com maior frequência. No último fim de semana, a TAM atrasou boa parte de seus voos e cancelou dezenas deles sem explicações plausíveis para um erro de gestão. Pouco antes, a Webjet praticamente parou por causa da revolta de seus funcionários com a jornada excessiva de trabalho. Em julho, também por problemas trabalhistas, a Gol provocou uma crise semelhante ao apagão do fim de 2006. Mesmo com todos esses casos concretos, as autoridades pouco fizeram para conter os abusos.

Na avaliação dos especialistas, as companhias aéreas estão sendo amadoras na gestão de pessoal: em vez de contratarem mais mão de obra, preferem impor aos funcionários sobrecarga, com horas extras exorbitantes. “É inacreditável que as empresas não tenham se dado conta de que a atual estrutura não é compatível com o crescimento do número de passageiros”, diz um técnico do governo. “Ou isso é descaso ou falta de capacidade de gestão”, acrescenta.

Todos esses problemas ocorrem a despeito de a Anac fazer um levantamento do número de tripulantes de cada companhia. “Algo realmente está errado no setor”, afirma um integrante da equipe de transição do governo de Dilma Rousseff, que promete fazer uma revolução no mercado de aviação, a começar pela profissionalização da Infraero, que terá parte de seu capital vendida na bolsa de valores. Das empresas procuradas pelo Correio, apenas a TAM garantiu que o seu efetivo de pessoal é suficiente para todas as operações. Atualmente, emprega 2.207 comandantes e copilotos. Ainda assim seus atrasos e cancelamentos são constantes.

Esgotamento

Os sindicatos de trabalhadores garantem que os empregados das companhias aéreas estão atuando no limite da capacidade física e emocional. “Há vários processos em andamento contra as empresas. Mecânicos não estão podendo parar nem 15 minutos para o lanche”, conta a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. “Um comissário pode fazer, ao máximo, seis voos por dia. Mas isso não é o que está acontecendo na prática”, afirma. Segundo ela, o deficit do setor aéreo é de aproximadamente 3,5 mil funcionários para atender a demanda crescente.

“Os órgãos fiscalizadores não cumprem o seu papel e não multam devidamente as empresas”, critica o advogado e especialista em gerenciamento de riscos no setor aéreo, Gustavo Cunha Mello. Para ele, o fato de um piloto não descansar devidamente aumenta, e muito, o risco de acidente aéreo. “Quando o acidente acontece, a culpa acaba sendo do piloto, mas o que não se vê é que existe uma má gestão devido a decisões equivocadas”, diz.

O secretário do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Sérgio Dias, conta que há um grande número de funcionários tirando licenças médicas por causa do esgotamento provocado pela carga excessiva de trabalho. Diante da falta de acordo na última reunião entre o Sindicato patronal e o dos trabalhadores, os empregados decidiram não “quebrar mais o galho” das companhias. “Vamos cumprir a carga horária prevista em lei e não haverá mais horas extras”, afirma, sinalizando o início de operação padrão desde 2 de dezembro. Na opinião de Selma, essa medida demorará um pouco para ser sentida, mas deverá ser avaliada na reunião da próxima quarta-feira, entre as duas partes.

Enquanto patrões e empregados não chegam a um acordo, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) abre uma série de processos contra as companhias aéreas e critica o novo código aeronáutico lançado pela Anac, que entrou em vigor em julho. “Ele (o código) só confunde e não defende devidamente o consumidor, apenas protege mais as empresas. É preciso fazer mais reclamações contra as companhias na Justiça e não na Anac, pois a punição é mais garantida”, aconselha.

No entender de Bessa, a falta de concorrência é um dos fatores para o desamparo do passageiro. As companhias extrapolam nos atrasos e nas arbitrariedades, como a cobrança de seguro de viagem no preço do bilhete. A Webjet, por exemplo, começou a cobrar R$ 5 para a reserva de assento na internet. Procurada, a empresa se negou a explicar a prática abusiva. A falta de resposta se sustenta no aumento da renda dos brasileiros. As classe C e D estão trocando o ônibus pelo avião. A venda facilitada de passagens até em lojas de eletrodomésticos seduz a todos e infla os lucros das companhias.

Greve de controladores paralisa a Espanha

Além do caos em território nacional, os brasileiros com viagens marcadas para a Europa ontem tiveram ainda de enfrentar um novo problema: a greve dos controladores na Espanha gerou atrasos e cancelamentos em vários países, atingindo 250 mil passageiros. O espaço aéreo espanhol foi fechado e o governo do país declarou estado de alerta. Apenas à noite os grevistas anunciaram o fim do movimento — contrário à privatização dos aeroportos —, mas a confusão já estava formada no mundo todo.

A Iberia, maior empresa aérea espanhola, cancelou todos os seus voos até, pelo menos, hoje. A empresa tinha duas chegadas previstas para ontem, em São Paulo, mas os voos não puderam partir da Espanha, por conta da greve. Os dois voos que partiriam para Madri também foram cancelados. O voo da TAM que deixaria Madri na noite de sexta-feira também foi cancelado. A empresa informou que voltaria a operar após a normalização do espaço aéreo espanhol, que aconteceu no fim da noite de ontem.

O voo da TAM que partiu de São Paulo na noite de sexta teve que aterrissar em Lisboa, Portugal. Segundo a empresa, foi oferecida aos passageiros a possibilidade de seguir por terra para Madri ou obter hospedagem em Lisboa. Os passageiros que partem do Brasil com destino à Espanha devem ficar atentos à confirmação ou não de seu voo.

Constituição

Foi a primeira vez que se declarou estado de alerta na Espanha desde a volta à democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975. “Os aeroportos permanecem praticamente todos paralisados, por isso o conselho de ministros aprovou um decreto que institui o estado de alerta, de acordo com a Constituição”, anunciou o primeiro vice-presidente do executivo, Alfredo Pérez Rubalcaba. Segundo ele, isso significa que os “controladores passam a estar mobilizados e, no caso de não comparecerem ao trabalho, estarão incorrendo num delito de desobediência tipificado no código penal militar”.

Decretado desta vez com duração de 15 dias, o estado de alerta é reconhecido pela Constituição e em uma lei de 1981 para eventualidades como “terremotos, inundações, incêndios ou acidentes de grande magnitude, crise sanitárias, paralisações de serviços públicos essenciais ou situações de desabastecimento de produtos de primeira necessidade”.

A procuradoria de Madri abriu uma investigação por delito de perturbação da ordem pública, punível com penas de até oito anos de reclusão.

O ministério da Defesa espanhol assumiu a direção no país do tráfego aéreo, que se manteve paralisado em todo o sábado na Espanha, com várias companhias aéreas cancelando seus voos a partir de Madri. “A situação é igual à de ontem. Não há voos. Só estão entrando no aeroporto de Madri-Barajas voos transoceânicos. São os únicos que estão operando. A situação é igual em todo o país”, declarou o porta-voz da autoridade aeroportuária nacional Aena.

O movimento dos controladores aéreos acontece depois do governo espanhol aprovar, na manhã de sexta-feira, a privatização parcial da gestão dos aeroportos. Essa decisão, segundo os controladores, os obriga a trabalhar mais horas, o que supõe uma situação insustentável. “Vivemos denunciado há meses que estávamos chegando a nosso máximo de horas e que isso ia acontecer no mês de dezembro”, denunciou o porta-voz do sindicato dos controladores USCA, Daniel Zamit.

sábado, 4 de dezembro de 2010

"FAB não aceitaria retirada do controle de tráfego aéreo militar"

"FAB não aceitaria retirada do controle de tráfego aéreo militar"

Brigadeiro da reserva concorda com criação de secretaria para aviação civil, mas sem alterar militarização do controle aéreo

Severino Motta

O brigadeiro da reserva e ex-presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse ao iG que a Aeronáutica não concordaria com a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo formado somente por civis. De acordo com ele, a criação de uma secretaria com status de ministério para a área, como quer a presidente eleita Dilma Roussef, seria positiva, mas haver controle somente civil para os vôos regulares é algo “que nem se deve cogitar”.

“A Aeronáutica ri para essa história de tirar a aviação civil da Defesa. É bom para todos. O que é impensável é o controle aéreo global sair do comando militar”, disse.

Segundo o brigadeiro, a criação de um sistema de controle de tráfego aéreo para a aviação civil, sem a presença militar, seria extremamente caro e na prática duplicaria os mecanismos de controle, uma vez que a Aeronáutica deve manter a defesa do espaço aéreo independentemente dos vôos comerciais.

“Ter somente controladores civis nos aeroportos, como é hoje em Garulhos, não tem problema. O que tem de ficar com comando militar é o controle do espaço aéreo, quem controla um avião entre dois aeroportos tem que ser militar, pois é o controle global. Quem faz isso lida também com aviões de traficantes, contrabandistas. Por isso precisa ser algo militar em contato com a Polícia Federal”, comentou.

A criação de um sistema de controle de tráfico desmilitarizado não está clara na proposta da presidente eleita. Por enquanto sabe-se da retirada da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do bojo da Defesa, além da estatal que administra os aeroportos, a Infraero - que deve ter seu capital aberto.

“A abertura do capital da Infraero é algo muito positivo e deve melhorar a qualidade dos serviços, pois haverá cobrança dos investidores. O que não se pode fazer é vender aeroportos inteiros, que bem administrados são fonte de renda”, disse Pereira.

No processo de migração dos órgãos de controle de avião civil que estão ligados à Defesa para uma secretaria, Pereira observa que um técnico deveria ser escolhido para comandar a nova pasta. "Quanto mais a Aeronáutica se afastar da aviação civil, melhor. O que precisa é colocar um técnico na nova secretaria, assim pode gerar resultados positivos”, pontuou.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Jobim é convidado e aceita continuar no Ministério da Defesa

Jobim é convidado e aceita continuar no Ministério da Defesa

Ilimar Franco

BRASÍLIA

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, aceitou convite da presidente eleita, Dilma Rousseff, e
vai permanecer no comando das Forças Armadas no próximo governo. Dilma convidou Jobim na sextafeira, em São Paulo. Ela estava na capital paulista para tratar de assuntos pessoais, e Jobim embarcava para uma viagem oficial de uma semana a quatro países da Europa. Na conversa, ficou decidido que a Secretaria da Aviação Civil sairá da Defesa e passará a ser uma secretaria especial vinculada à Presidência da República. A desmilitarização atingirá, também, a Infraero.

O convite para Jobim foi precedido de uma conversa entre o ministro da Defesa e o futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, em 17 de novembro. Palocci comunicou a Jobim que a presidente eleita queria mantê-lo no cargo, mas retirando de sua pasta as atribuições da aviação civil. Jobim concordou, dizendo que a comunidade internacional, em encontros da área, considerava excêntrico que um ministro da Defesa tratasse de aviação civil.

Apesar dessa conversa com Palocci, na semana passada, ao participar de reunião dos ministros da Defesa dos países da América do Sul, Jobim anunciou que estava se despedindo, pois não deveria ser mantido no próximo governo. Quando fez esta declaração, Jobim quis sinalizar para a presidente eleita que não estava em campanha para permanecer no cargo.

Mas esta era a vontade do presidente Lula, cujos argumentos acabaram convencendo Dilma. A avaliação de Lula, avalizada por Dilma, é a de que o Ministério da Defesa sob o comando civil só virou realidade com a chegada de Jobim à pasta. O entendimento dominante é o de que ele está desenvolvendo a modernização e o reaparelhamento das Forças Armadas, que devem ter continuidade. Pesou ainda o fato de que os comandantes militares respeitam o atual ministro.

A expectativa nas Forças Armadas, com a manutenção de Jobim na pasta, é a de continuidade e de ampliação dos investimentos na área da defesa. Entre os militares, desde a semana passada, circulam informações de que Jobim, já prevendo sua permanência, comunicou aos chefes das Forças - Exército, Marinha e Aeronáutica - que gostaria que eles permanecessem no comando.

O chefe conjunto das Forças Armadas também deve permanecer. Sobre a capacidade política e de diálogo deste, Jobim costuma brincar fazendo uma analogia com o futebol:
- O general José Carlos de Nardi é candidato ao Conselho Deliberativo do Internacional por duas chapas adversárias, nas eleições diretas para eleger o presidente do clube.

domingo, 28 de novembro de 2010

Dilma decide criar pasta para aviação civil

Dilma decide criar pasta para aviação civil

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA


A presidente eleita, Dilma Rousseff, quer remodelar o setor aéreo do país. Ela decidiu criar uma pasta específica para a área, provavelmente com status de ministério.


O objetivo é abrir o capital do setor à iniciativa privada e acelerar a construção de aeroportos para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A Secretaria Especial de Aviação Civil cuidará de assuntos e órgãos que hoje estão sob a responsabilidade do Ministério da Defesa.

Responderão à nova pasta a Infraero, estatal que administra aeroportos, e a Anac, agência reguladora do setor.

Não está no desenho montado pela petista a junção dessa nova pasta com a Secretaria de Portos --ao contrário das especulações da semana passada. Os portos podem, inclusive, voltar a ser um departamento do Ministério dos Transportes.

A decisão final, contudo, passará pela negociação partidária. Dilma tenta acomodar 12 legendas aliadas em cargos do primeiro escalão.

Para comandar a nova pasta, a presidente eleita tem dito que não abre mão de um profissional com capacidade técnica. Isso não significa, porém, que não haverá negociação com alguma sigla de sua base de apoio. Ainda não há nomes em discussão.

O PMDB está de olho não só na vaga, mas também no controle da Infraero. O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) já disse a peemedebistas que tem interesse em ser o titular da empresa.

Segundo a Folha apurou, a petista vai trocar o comando de diversas diretorias da Infraero, senão todas. Ela considera que a companhia foi sucateada nos últimos anos em benefício de combinações políticas.

O empenho em remodelar o setor vem de um diagnóstico do governo desde os tempos do caos aéreo, em 2006.

Dilma estabeleceu o assunto como prioridade da equipe de transição. Costuma avaliar nos bastidores que um fracasso nessa área será um fracasso pessoal.

O setor aéreo está hoje a cargo do Ministério da Defesa, chefiado por Nelson Jobim. Ele e Antonio Palocci, designado para a Casa Civil, já trataram sobre as mudanças planejadas por Dilma.

Jobim ainda não sabe se continuará no posto. Uma conversa dele com Dilma está prevista para dezembro. O presidente Lula defende a continuidade, pois considera que Jobim conquistou autoridade nas Forças Armadas, tradicionalmente reativas à subordinação a um civil.

Dilma, porém, não bateu o martelo por duas razões: não faz avaliações positivas sobre a atuação de Jobim para resolver o problema dos aeroportos e o julga vinculado ao tucano José Serra, amigo pessoal do ministro.

A presidente eleita passou o dia de ontem com a família em Porto Alegre (RS).

sábado, 27 de novembro de 2010

Dilma quer pasta forte ou secretaria só para cuidar de aeroportos e portos

Dilma quer pasta forte ou secretaria só para cuidar de aeroportos e portos


Marta Salomon, Lu Aiko Otta, Fabio Graner


Preocupada com o risco de colapso dos Aeroportos na Copa de 2014 e o potencial de escândalo de obras bilionárias conduzidas pela Infraero, a presidente eleita, Dilma Rousseff, estuda a criação de uma pasta específica para cuidar do setor, cuja administração está subordinada atualmente ao Ministério da Defesa.

Um dos desenhos em análise pela equipe de transição coloca toda a área de aviação civil numa secretaria ligada diretamente à Presidência da República. Alternativamente, portos e Aeroportos poderiam estar sob os cuidados de um novo ministério.

Atualmente existe uma Secretaria Especial de Portos, ocupada pelo PT. A administração de Aeroportos é responsabilidade a Empresa Brasileira de Infraestrutura Portuária (Infraero), ligada ao Ministério da Defesa.

Uma das ideias é que o comando da nova estrutura responsável pelos Aeroportos fique fora do rateio de cargos com partidos aliados do futuro governo.

Blindagem. Os preparativos para a Copa preveem investimentos de R$ 5,6 bilhões em Aeroportos e outros R$ 740 milhões em portos até 2014. Para conduzir esses empreendimentos, a presidente eleita quer um técnico de sua confiança, blindado de interferências políticas. Os preparativos para a Copa registram atrasos e serão uma prova de fogo para a reputação de boa gerente cultivada por Dilma.

As duas hipóteses em análise têm um ponto em comum: a Infraero deixa de estar subordinada à Defesa.

O atual titular da pasta, Nelson Jobim, defende há tempos que os assuntos relativos à aviação civil saiam de sua pasta. A avaliação é que a aviação civil é um assunto amplo demais para ficar sob os cuidados de um ministério que já cuida do reaparelhamento das Forças Armadas.

É certo que Dilma autorizará a abertura de capital da Infraero, ideia defendida durante a campanha como uma forma de atrair recursos da iniciativa privada.

O modelo de abertura do capital foi preparado por consultoria contratada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2009.

Pedra no sapato. Investir nos Aeroportos tem sido uma pedra no sapato de Dilma desde quando ela era a gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Problemas jurídicos nas obras dos Aeroportos de Guarulhos (SP) e Vitória (ES) e Macapá (AP) dificultaram a execução dos planos do PAC, que previam injetar R$ 3 bilhões nos Aeroportos de 2007 até o final deste ano. Também foram alvo de críticas do Tribunal de Contas da União.

Para a Copa, o maior investimento previsto está no Aeroporto de Guarulhos: R$ 1,2 bilhão. O segundo maior investimento é o de Campinas, no valor de R$ 742 milhões. Dos 13 Aeroportos do pacote da Copa, só dois registram o início das obras.

GARGALOS DO SETOR

Aeroportos

1. Alguns já operam no limite em horários de pico, como Guarulhos (SP), Confins (MG), Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Cuiabá e Natal

2. Deverão atingir o limite até a Copa: Manaus, Recife, Viracopos (SP) e Pampulha (MG)

3. Em Guarulhos, as obras para ampliação do pátio estão paradas por causa de problemas na Justiça

4. Em Brasília, a construção do terminal sul de passageiros está atrasada, entre outras razões, porque ele será integrado ao projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)

Portos

O governo federal quer atuar em parceria com as administrações estaduais para implantar um plano de investimento nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Rio de Janeiro (RJ), Itaguaí (RJ), Vitória (ES) e Itaqui (MA). O excesso de interferência política dificultava execução dos projetos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

IATA critical of state of Brazil's airports

IATA critical of state of Brazil's airports

RIO DE JANEIRO (AP) - Brazil's overburdened airports cannot meet demand and are a ''growing disaster'' that could embarrass the country during the upcoming Olympic games and World Cup if they aren't improved, the head of the world's top airline association said.

The language used by Giovanni Bisignani, CEO of the International Air Transport Association, to describe Brazil's overwhelmed airports at an industry conference Thursday was some of the harshest criticism yet leveled at the nation on the topic.

''Brazil is Latin America's largest and fastest growing economy but air transport infrastructure is a growing disaster,'' he told industry leaders at a meeting of the Latin American and Caribbean Air Transport Association in Panama. The organization represents 230 airlines around the world.

''To avoid a national embarrassment, Brazil needs bigger and better facilities for the 2014 FIFA World Cup and the 2016 Olympics,'' Bisignani said.'' But I don't see progress and the clock is ticking. The time for debate is over.''

Brazil's robust economic growth has resulted in increased demands on air travel. Thirteen of the country's 20 largest domestic airports cannot accommodate existing demand, and the situation is critical in Sao Paulo, South America's biggest international hub, Bisignani said.

The rapid growth has resulted in regular and massive delays for air travelers in Brazil.

Experts have said aviation problems stem from chronic underspending on radar, runways and other infrastructure. Safety upgrades, backup systems and even training for air traffic controllers have been put off for years.

Bisignani's comments were pointed, but he isn't the first one to voice concern.

The International Olympic Committee has expressed doubt about the country's ability to upgrade airports ahead of the games. Earlier this year, Rio 2016 committee president Carlos Arthur Nuzman said the IOC's principal concern was the apparent lack of planning to revamp airports.

sábado, 20 de novembro de 2010

Crítica da Iata é ''terrorismo'', diz Jobim

Crítica da Iata é ''terrorismo'', diz Jobim

Para ministro, a Iata, que classificou de desastrosa a situação dos aeroportos brasileiros, reflete apenas o interesse das empresas aéreas

Tânia Monteiro

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou como terrorismo o conteúdo do relatório da Iata - Associação Internacional do Transporte aéreo que criticou severamente a infraestrutura aeroportuária do Brasil dizendo que ela é um "desastre" e uma "vergonha".

Para o ministro da Defesa, a Iata não protege os usuários e na verdade, reflete apenas o ponto de vista das empresas. E contra-atacou: nunca vi posição da Iata, por exemplo, em relação ao conforto dos passageiros nos voos nas empresas brasileiras. Esta é uma manifestação unilateral, sem conhecimento profundo de causa. Não há esta visão terrorista estabelecida pela Iata, que é meramente uma manifestação do setor comercial.

A Iata representa cerca de 230 empresas aéreas no mundo que, de acordo com seu estatuto, opina sobre segurança, regularidade e economia no transporte aéreo em benefício dos usuários.

Guarulhos. Questionado sobre os problemas apontados pelo relatório em 13 dos 20 principais aeroportos brasileiros, com destaque para as deficiências de Guarulhos, o maior do País, o ministro Jobim reagiu justificando que o governo está realizando obras nos aeroportos e melhorando as suas instalações.

Há problemas (em Guarulhos) sim, mas estamos trabalhando nele, estamos em obras. Há obras de melhoria de pistas, estacionamento, o terminal está basicamente pronto, a construção do outro terminal está em andamento. As coisas estão caminhando e serão atendidas, declarou Jobim, após cerimônia no dia da Bandeira, no Quartel General do Exército.

Terrorismo. Para o ministro da Defesa, sempre que se aproxima o fim do ano, época de férias, festas e de maior fluxo de passageiros, as empresas tentam fazer este terrorismo e, no final, as coisas transcorrem normalmente. Todo este terrorismo que sempre se procura fazer no fim do ano não dá certo. No final, as coisas correm normalmente e não se fala mais no assunto, comentou.

O ministro informou que, na semana que vem, será realizada uma reunião com representantes da Anac e Infraero, justamente para tratar deste tema e assegurar que não haverá problemas no final do ano.

A situação está controlada. É a mesma coisa que aconteceu no ano passado. Haverá todo um processo de recepção e atendimento ao turista. No ano passado, neste momento, todo mundo dizia que iríamos ter um caos e o caos não houve, lembrou.

Aeroportos brasileiros podem causar 'vergonha' em 2014, diz 'Financial Times'

Aeroportos brasileiros podem causar 'vergonha' em 2014, diz 'Financial Times'

Jornal cita aumento da demanda por voos e falta de investimentos como empecilhos.

O Brasil corre o risco de passar vergonha por chegar ao limite da capacidade em seu setor aeroportuário, mesmo antes de sediar a Copa do Mundo de 2014, diz reportagem do jornal britânico Financial Times.

O jornal ouviu executivos da indústria que citaram o "rápido aumento da demanda e planos inadequados de desenvolvimento" no setor. Nesse cenário, o país deve enfrentar atrasos e cancelamento de voos durante a Copa do Mundo e, no longo prazo, "restrição do crescimento econômico e condições de viagem abaixo do padrão".

O chefe da Associação Internacional de Transporte aéreo (IATA), Giovanni Bisignani, disse ao FT que não tem visto progresso suficiente no setor no Brasil. "Para evitar uma vergonha nacional, o Brasil precisa de estrutura maior e melhor para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016", opinou.

Em uma segunda reportagem, o FT lembra que o gargalo aéreo não é um problema novo no Brasil. Citando números da consultoria McKinsey, diz que o número de passageiros que voam anualmente em aeroportos de grande porte no país cresceu de 68 milhões em 2000 para 113 milhões em 2008. Essa demanda pode triplicar nos próximos anos, mas a infraestrutura não tem acompanhado esse ritmo.

Estudo da consultoria aponta que 13 dos mais movimentados aeroportos do país já sofrem de gargalos severos.

Críticas à Infraero

A reportagem também cita promessas de investimentos feitas pela Infraero, incluindo planos de R$ 2 bilhões para expandir os aeroportos de Cumbica e Viracopos.

"Mas a Infraero não cumpriu compromissos mais modestos feitos no passado. (A estatal) reporta ao ministro da Defesa e é dominada por sindicatos de funcionários públicos, sendo autoritária e mais preocupada com empregos do que com resultados", disse ao jornal uma fonte ligada à estatal.

Nesse cenário, crescem os debates em torno da ideia de privatizar alguns aeroportos, mas não está claro qual a posição da presidente eleita Dilma Rousseff a respeito, aponta o FT.

Segundo a McKinsey, para atender a demanda esperada, o Brasil precisa, a longo prazo, de nove novos aeroportos do tamanho de Cumbica. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Situação dos aeroportos é desastrosa, avalia Iata

Para organização internacional, Brasil corre o risco de enfrentar um "constrangimento nacional" durante a Copa do Mundo e a Olimpíada

Glauber Gonçalves

O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Giovanni Bisignani, disse ontem que o Brasil precisa resolver os problemas de infraestrutura dos aeroportos para não passar por um "constrangimento nacional" durante a Copa e a Olimpíada.

"O País é a maior economia da América Latina e a que mais cresce, mas a infraestrutura de transporte aéreo é um desastre de proporções crescentes", disse Bisignani em encontro de presidentes e diretores de companhias aéreas organizado pela Associação Latino Americana e Caribenha de Transporte Aéreo (Alta) na Cidade do Panamá.

"Para evitar um constrangimento nacional, o Brasil precisa de instalações melhores e maiores para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas não vejo progresso e o tempo está correndo. O tempo para debates acabou."

Apesar de externar preocupação com os eventos que o País sediará nos próximos anos, Bisignani destacou que a infraestrutura aeroportuária já apresenta problemas. "Treze dos vinte maiores aeroportos não conseguem acomodar a demanda nos terminais de passageiros existentes, e a situação é crítica em São Paulo, maior hub internacional da região", disse, referindo-se ao Aeroporto de Guarulhos.

"No começo do ano, a Infraero popôs fechar uma das pistas do aeroporto de Guarulhos por uma boa parte do ano que vem para a realização de melhorias. Isso cortaria a capacidade pela metade. Nós nos manifestamos e o governo agora está procurando outra solução", comentou.

Para Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), a possibilidade de restrição da oferta de voos com a intensificação das obras nos aeroportos é real. "Obra é uma expectativa para o futuro. Mas, em alguns casos, ela gera uma limitação da operação no presente. Você tem de interditar alguma coisa", diz.

No encontro, Bisignani criticou os impostos sobre o setor de aviação. "Por causa dos altos impostos, Brasil, Chile e Peru ocupam a 45.ª, 57.ª e 74.ª posições no índice de viagem e turismo do Fórum Econômico Mundial."

Infraestrutura de aeroportos do Brasil é 'desastre', diz Iata

Infraestrutura de aeroportos do Brasil é 'desastre', diz Iata

Aeroporto no Brasil é "desastre", diz Iata Presidente de associação de companhias aéreas critica estrutura brasileira e aponta falhas de segurança Alta tributação e risco de o Brasil dar "vexame" na Copa e na Olimpíada são debatidos em fórum do setor no Panamá

LUCIANA COELHO

A principal associação mundial de companhias aéreas censurou ontem o Brasil por deficiências de infraestrutura que ameaçam o fluxo de passageiros na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016.

Impostos e taxas no país e na região também foram questionados como um obstáculo à operação, assim como riscos à segurança.

"O Brasil é a maior economia da América Latina e a que cresce mais rápido, mas sua infraestrutura é um desastre crescente", afirmou o presidente da Iata, Giovanni Bisignani, em discurso distribuído à imprensa.

Bisignani, que falou no fórum da Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe, no Panamá, alertou para a demanda que virá com os megaeventos esportivos e exortou autoridades e empresas nacionais a prepararem um plano "se quiserem evitar vexame".

"O relógio está correndo e eu não vejo muito progresso", afirmou. "Dos 20 maiores aeroportos domésticos do Brasil, 13 não conseguem acomodar as demandas em seus terminais. E a situação em São Paulo é crítica."

A maior preocupação da Iata é o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A associação criticou a decisão da Infraero, depois revertida, de fechar uma das pistas no próximo ano. A capacidade atual do aeroporto é insuficiente para o crescimento da demanda.

Outro ponto levantado foi o aumento tributário. A Iata relata este como um problema da região, mas destaca o Brasil, o Chile e o Peru ao falar de países cuja competitividade no setor é fortemente afetada pelos impostos.

"É por causa dos altos impostos que esses países são listados, respectivamente, como 45º, 57º e 74º no índice de viagem e turismo do Fórum Econômico Mundial." A lista é liderada pela Suíça.

GRANDES EXPECTATIVAS

Apesar das críticas, a Iata festejou a fusão da TAM com a LAN Chile, um negócio estimado em US$ 14 bilhões em capitalização de mercado, quase o triplo do que é estimado para outra megafusão, a da British Airways com a espanhola Iberia.

A associação está aumentando seu investimento no Brasil e nomeou Carlos Ebner, ex-presidente da OceanAir (hoje Avianca) e ex-diretor financeiro da Varig, como diretor para o Brasil a partir de dezembro.

O movimento aéreo na América Latina (número de voos) deve crescer acima da média global: 15,2% no ano e 6,1% no ano que vem, após fechar 2009 no zero a zero. Em receita, a alta estimada é de 5% e 3,2%, também acima da média do resto do mundo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Jato Legacy deve voltar ainda nesta semana para os Estados Unidos

Jato Legacy deve voltar ainda nesta semana para os Estados Unidos

Aeronave está no pátio do aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, onde deve decolar

O jato Legacy, que se chocou com o Boeing 737 da Gol e matou 154 pessoas em 2006, deve voltar aos Estados Unidos ainda nesta semana. Nesta segunda-feira (1º), a aeronave estava no pátio do aeroporto internacional Eduardo Gomes, em Manaus, no Amazonas, onde deve ficar até pelo menos quarta-feira (3). A Justiça do Mato Grosso determinou, na quinta-feira (28), a devolução do jato aos donos americanos.

Ainda não se sabe o dia da decolagem. De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira na sexta-feira (29), os advogados da empresa americana devem decidir a data exata e passar as informações. A FAB ainda afirmou, nesta segunda, que o Legacy saiu pela primeira vez da base aérea a Serra do Caximbo, no Pará, na sexta-feira (29). Ele estava lá porque era a base aérea mais próxima do local em que ocorreu o acidente. Foi montada uma estrutura para abrigá-lo. Em Manaus, ele chegou por volta das 17h42 de sexta.

O acidente de 29 de setembro de 2006 ocorreu entre o Boeing da Gol, oriundo de Manaus (AM) com destino a Brasília (DF), com o jato executivo Legacy que ia de São José dos Campos (SP) em direção a Manaus, onde pousaria para, no dia seguinte, partir rumo ao exterior.

A 37 mil pés de altitude, na região norte de Mato Grosso, a ponta da asa esquerda do jato bateu contra o Boeing da Gol provocando a queda da aeronave, que tinha 154 pessoas a bordo. Todos morreram. Já o Legacy conseguiu pousar na Serra do Cachimbo sem vítimas.

Condenação

O controlador de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos foi condenado na terça-feira (26) por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pelo acidente da Gol. Foram quatro votos a um - votaram a juíza e quatro militares sorteados para compor o conselho. A pena arbitrada é de um ano e dois meses.

A decisão é da primeira instância da Justiça Militar Federal. Cabe recurso no Superior Tribunal Militar, de acordo com a promotora responsável pela acusação do caso, Ione de Souza Cruz. Santos poderá recorrer da decisão em liberdade. Outros quatro controladores de voo foram absolvidos.

Santos é o primeiro condenado pela queda do Boeing 737 da Gol. A promotora, que denunciou quatro dos controladores de voo por inobservância da lei, instrução e norma, e Jomarcelo por homicídio culposo, pediu a absolvição dos acusados por acreditar, após três anos de instrução do processo, que as condutas foram irregulares, concorreram para a queda do avião, mas não foram criminosas.

- Não pode ser imputada a eles a responsabilidade pela queda do avião (...) A única chance de esse acidente não acontecer seria se o transponder estivesse ligado e funcionando.

Mas a promotora diz acreditar o comportamento do condenado poderia ter evitado a colisão das aeronaves. Ele estava no Cindacta 1, órgão responsável pelo tráfego aéreo na região central do país, no momento em que o transponder - equipamento que posiciona o avião no radar - do Legacy parou de funcionar.

Segundo a promotora, o controlador de voo errou ao notar irregularidades e não ter tomado providências. Ela defende, entretanto, que "não se pode atribuir o peso do acidente a ele".

Revista Época: Jomarcelo Santos: O único culpado?

Revista Época

Jomarcelo Santos: O único culpado?

Controlador pega 14 meses de prisão por acidente com o voo da Gol em 2006

Celso Masson

Às 15H30 do dia 29 de setembro de 2006, um jato Legacy, fabricado pela Embraer e comprado pela empresa americana Excel Aire, decolou de São José dos Campos, São Paulo, com destino aos Estados Unidos. Ele sobrevoava a Serra do Cachimbo, em Mato Grosso, quando uma de suas asas tocou um Boeing da Gol, que voava em sentido contrário. A colisão não impediu o Legacy de pousar em segurança – mas abateu o Boeing, matando 154 pessoas. Na terça-feira, a Justiça Militar responsabilizou o controlador de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos, de 31 anos, pelo acidente. E o condenou por homicídio culposo.

Jomarcelo deverá cumprir um ano e dois meses de detenção. “A condenação é inaceitável”, afirmou o advogado de defesa Roberto Sobral, que pretende recorrer da decisão no Superior Tribunal Militar (STM). O julgamento que condenou Jomarcelo por quatro votos a um inocentou os outros quatro controladores de voo também acusados pelo Ministério Público Militar de envolvimento na tragédia. São eles os militares João Batista da Silva, Felipe Santos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros. Todos trabalhavam no Cindacta 1, o centro de controle de voo em Brasília, no dia do acidente. O voto contrário à condenação de Jomarcelo foi da juíza Vera Lúcia da Silva Conceição, para quem a culpa não pode ser atribuída a nenhum dos controladores.

As investigações feitas logo após o acidente concluíram que ele fora causado por uma série de erros. O plano de voo traçado em São José dos Campos previa que o Legacy mudaria de altitude duas vezes no trajeto. Ele seguiria a 37.000 pés até Brasília, baixaria para 36.000 e, após um marco conhecido como ponto TERES, subiria para 38.000 pés. Laudos confirmam que o plano não foi seguido pelos pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino. Apesar disso, ambos continuam trabalhando como pilotos nos EUA, sem nenhum tipo de punição por parte da Justiça brasileira.

A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 (código correspondente ao voo da Gol) tenta impedir que os pilotos prossigam trabalhando. Um abaixo-assinado que pede a cassação do brevê de ambos já reuniu 36 mil assinaturas. Em 29 de setembro, quando o desastre completou quatro anos, representantes da associação tentaram entregar uma cópia do documento à atual empregadora de Paladino, a American Airlines. A empresa não os atendeu. Joseph Lepore continua piloto da Excel Aire.

Jomarcelo Fernandes dos Santos, terceiro-sargento da Aeronáutica, estava em serviço no Cindacta I até pouco antes de os aviões se chocarem. Um relatório das investigações da Polícia Federal obtido pela reportagem de ÉPOCA três meses após a tragédia mostrou que, além de o Legacy voar em altitude errada, seu transponder, equipamento que envia informações precisas sobre a localização do avião e pode acionar um mecanismo anticolisão, estava desligado ou quebrado. Enquanto monitorava o Legacy, o controlador Jomarcelo observou que o aparelho voava a 36.000 pés, altitude prevista no plano de voo. A informação estava errada. O avião voava a 37.000 pés, em rota de colisão com o Boeing da Gol.Como isso pôde acontecer?

Quando o transponder deixa de enviar informações sobre o voo, um radar secundário, na torre de controle, deveria monitorar o aparelho. Naquele caso, o que o radar mostrou não correspondia à posição exata da aeronave. Foi por isso que Jomarcelo viu na tela o jato voando a 36.000 pés. O sargento Lucivando Alencar, que assumiu o monitoramento do Legacy às 16h15, pegou uma informação errada. Mesmo assim, ao perceber que não havia sinal de transponder em seus instrumentos, ele tentou várias vezes falar com o Legacy para confirmar sua altitude, sem receber resposta. O acidente ocorreu às 16h58.

Para a Justiça Militar, o controlador Jomarcelo foi negligente ao não atentar para o desaparecimento do sinal do transponder do Legacy (algo que, segundo os controladores, acontece toda hora, sem grandes consequências). Jomarcelo não alertou os pilotos a corrigir a altitude nem avisou seu sucessor no acompanhamento do aparelho de que havia problemas.

Para o advogado que defende Jomarcelo, seu cliente não pôde se defender das acusações, nem mesmo explicar que exercia a função sem ter proficiência em inglês, fato que o impediria de alertar os pilotos americanos por rádio. O advogado Roberto Sobral entende que a série de falhas que levou ao acidente começou no Departamento Pessoal da Aeronáutica, que contratou para a função um militar aquém das exigências. Além de ter sido condenado na Justiça Militar em Brasília, Jomarcelo é réu em outro processo, que tramita na Justiça Federal na cidade de Sinop, em Mato Grosso.

domingo, 31 de outubro de 2010

Controlador condenado

Controlador condenado

Dentre 4 colegas e 2 pilotos responsabilizados pelo acidente, segundo acusação, Jomarcelo dos Santos é o único penalizado

Pena estabelecida foi de um ano e dois meses de detenção. Defesa já anunciou que vai recorrer. HC tenta tirar caso da Justiça Militar

RENÊ DIÓZ

A Justiça Militar condenou ontem a um ano e dois meses de detenção o controlador de tráfego aéreo sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos, um dos cinco controladores envolvidos no acidente do voo da Gol 1907 ocorrido no Estado em 2006, quando 154 pessoas morreram. Acusado de homicídio culposo, Jomarcelo tem direito a suspensão condicional de execução da pena, mas a defesa já anunciou recurso.

Além de Jomarcelo, a Justiça Militar julgou os controladores Felipe Santos dos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar, João Batista da Silva e Leandro José Santos de Barros – todos absolvidos.

Advogado de defesa de Jomarcelo, Roberto Sobral falou ontem que a decisão não sobreviverá juridicamente. Ele informou que aguarda o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar um habeas corpus já impetrado a fim de tirar o processo do sargento da Justiça Militar, pois a defesa entende não tratar-se de um crime dessa natureza.

Mas o advogado estendeu suas críticas ao andamento do processo. “O que lamentamos é que não está sendo permitida a produção de provas que mostram as falhas no sistema de tráfego aéreo. Ele (Jomarcelo) foi condenado pelas falhas do próprio sistema brasileiro. Assim, toda a sociedade continua em risco”, afirmou. Sobre a pena imputada a Jomarcelo, Sobral comentou que o sargento não ficará preso. Trata-se, explicou, de uma pena restritiva de direitos.

A estratégia de habeas corpus no caso do voo 1907, em prol dos controladores de voo, já foi utilizada sem sucesso anteriormente. Em agosto, a Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta) teve negado o pedido de trancamento da ação penal militar contra os controladores envolvidos no caso.

No pedido, a Febracta contestava a decisão judicial anterior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitava a existência de conflito de competência para julgá-los. Quem havia suscitado essa possibilidade de conflito de competência era a Vara Federal de Sinop - a 500 Km de Cuiabá, em cujas proximidades o avião da Gol caiu, em 2006. Relator do processo no STF, Joaquim Barbosa negou o argumento da Febracta.

ACIDENTE - O Ministério Público atribuiu negligência aos controladores de voo em relação aos procedimentos de comunicação que deveriam ser tomados para evitar, em 29 de setembro de 2006, o choque entre o Boeing da Gol, que realizava trajeto em espaço aéreo mato-grossense, e o jato Embraer Legacy 600, da empresa norte-americana Excel Air Service.

Condenado ontem, Jomarcelo teria falhado por não ter informado ao controlador que o substituiria sobre a mudança de altitude e sobre o desligamento do equipamento Transponder (que avisa sobre a aproximação de outras aeronaves) do jato Legacy, onde estavam os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino.

Lepore e Paladino continuam atuando no espaço aéreo norte-americano, mas no Brasil também respondem por negligência na Justiça Federal. No caso deles, o processo judicial ainda está na fase de depoimentos de testemunhas, mas até chegar aí já houve controvérsias.

A Justiça Federal chegou até a voltar atrás em decisões: após voltar de licença médica, o juiz da Vara Federal de Sinop, Murilo Mendes, autorizou as oitivas requeridas pela defesa de Lepore e Paladino, antes indeferidas pelo juiz substituto Fábio Henrique de Moraes. As famílias das 154 vítimas criticaram o pedido de novas testemunhas – norte-americanas, inclusive – por estender demais o processo penal na Justiça. As famílias também reivindicam que Lepore e Paladino percam os brevês para atuar no espaço aéreo e montaram um site denominado “190 Milhões de Vítimas” para recolher assinaturas a favor da causa.

Legacy that struck Gol plane in 2006 to leave the country

Legacy that struck Gol plane in 2006 to leave the country

KÁTIA BRASIL

The Air Force informed this Saturday that the Legacy jet - which collided with the Gol Boeing on September 29, 2006 - landed last night in Manaus. The city is the airplane's last stop in Brazil before the final departure for the United States. Infraero did not inform the jet's departure date.

The Legacy jet has been since the date of the accident at the military aerodrome of Brigadeiro Velloso Proving Ground, in Cachimbo, Pará. On the 22nd of this month, the substitute judge for the Federal Court in Sinop, Mato Grosso, Fábio Henrique de Moraes, determined that the jet be restored to its owner.

The Legacy, with international registration N600XL, belonged to the American air charter firm ExcelAire. It was sold to Cloudscape Corporation and got a new registration: N965LL.

The Gol Boeing was performing flight 1907 from Manaus (AM) to Rio, with a stop scheduled in Brasilia. On overflying the country's northern region, there was a collision between the aircraft and the Legacy. The 154 occupants of the Gol plane died.

Sought out by the Folha, lawyer Dante D'Aquino, of the Association of Friends and Relatives of the Victims of Flight 1907, said that the aircraft's departure from the country will not cause "any loss" to the production of evidence related to the accident.
"The control panel equipment and the black box, which are the evidence collected by the Federal Police, remain in the country. And the expert examinations on the aircraft fuselage have all been performed. I see nothing against it", he affirmed.

Legacy que atingiu avião da Gol em 2006 deixará o país

Legacy que atingiu avião da Gol em 2006 deixará o país

KÁTIA BRASIL

A Aeronáutica informou neste sábado que o jato Legacy --que atingiu o Boeing da Gol em 29 de setembro de 2006-- pousou ontem à noite, em Manaus. A cidade é último destino no Brasil antes da partida final do avião para os Estados Unidos. A Infraero não informou a data da partida do jato.

O jato Legacy estava desde a data do acidente no aeródromo militar do Campo de Provas Brigadeiro Velloso, em Cachimbo (PA). No dia 22 deste mês, o juiz substituto da Vara Federal em Sinop (MT), Fábio Henrique de Moraes, decidiu pela restituição da aeronave ao proprietário.

O Legacy, com matrícula internacional N600XL, pertencia à empresa de táxi aéreo americana ExcelAire. Foi vendido para a Cloudscape Incorporation e ganhou um novo prefixo: N965LL.

O Boeing da Gol fazia o voo 1907 de Manaus (AM) para o Rio, com previsão de fazer uma escala em Brasília (DF). Ao sobrevoar a região Norte do país, houve um choque entre a aeronave e o Legacy. Os 154 ocupantes do avião da Gol morreram.

Procurado pela Folha, o advogado Dante D'Aquino, da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907, disse que a saída da aeronave do país não causará "nenhum prejuízo" à produção de provas relacionadas ao acidente.

"Os equipamentos do painel e a caixa preta, que são materiais de provas colhidos pela Polícia Federal, continuam no país. E as provas periciais no corpo da aeronave já foram todas produzidas. Não vejo nenhuma questão impeditiva", afirmou.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Controlador de voo condenado por acidente da Gol vai recorrer da decisão

Controlador de voo condenado por acidente da Gol vai recorrer da decisão

Segundo advogado, Jomarcelo dos Santos não tinha nível de proficiência em inglês para orientar um piloto estrangeiro

O advogado do terceiro sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos, Roberto Sobral, afirmou que vai recorrer da decisão ao Superior Tribunal Militar (STM) e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que seu cliente, condenado a 1 ano e 2 meses por causa do acidente da Gol que vitimou 154 pessoas, em setembro de 2006, não tinha nível de proficiência em inglês para orientar um piloto estrangeiro, como no caso. A tripulação do Legacy era norte-americana.

Segundo Sobral, o militar está afastado e se for condenado definitivamente tem direito ao sursis, que é a suspensão da execução da pena. "A condenação é inaceitável", afirmou o advogado. "Não foi permitido provar que ele não fala inglês e estava obrigado a sentar em um console para coordenar voo de pilotos estrangeiros", disse. O advogado afirmou que tramita um outro processo contra o militar, na Justiça Federal em Sinop, no Mato Grosso.

No julgamento desta terça, a juíza Vera Lúcia da Silva Conceição foi a única a votar contra a condenação de Santos. Para ela, nenhum dos controladores deve ser condenado. "Por mais que os acusados tivessem errado, o acidente não teria ocorrido se o transponder do Legacy estivesse ligado", afirmou a juíza para quem houve uma sucessão de falhas. Segundo a juíza, independentemente do resultado do julgamento, o processo não vai tranquilizar os acusados de envolvimento na morte de 154 pessoas.

Tribunal entendeu que sargento foi negligente

Jomarcelo Fernandes dos Santos trabalhava no dia do acidente no Cindacta I, de Brasília. De acordo com a acusação, ele teve uma conduta negligente, deixou de observar normas de segurança, dando causa direta à colisão entre as duas aeronaves.

Conforme a denúncia, ele não atentou para o desaparecimento do sinal do transponder do Legacy (o equipamento anticolisão que adverte os pilotos sobre a possibilidade de choque no ar), não orientou o piloto quanto a uma mudança de frequência, não deu importância ao nível de altimetria na aerovia e passou o serviço a outro militar sem alertá-lo sobre as irregularidades.

Santos não quis dar entrevista após ouvir a sentença de condenação imposta por 4 votos a 1 pela auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, em Brasília.

Pena é de um ano e dois meses; oficiais da Aeronáutica absolveram outros quatro controladores

Pena é de um ano e dois meses; oficiais da Aeronáutica absolveram outros quatro controladores

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA. A Justiça Militar condenou ontem a um ano e dois meses de prisão o sargento da Aeronáutica Jomarcelo Fernandes dos Santos, um dos controladores de voo acusados de cometer falhas que resultaram na queda de um Boeing da Gol, em setembro de 2006, em Mato Grosso. Todos os 154 passageiros e tripulantes morreram no acidente. O avião, que fazia um voo de Manaus para Brasília, caiu depois de se chocar com um jato Legacy, que viajava rumo aos Estados Unidos. No julgamento, outros quatro controladores de voos foram absolvidos.

Jomarcelo foi condenado pela Auditoria da 11aGJM, por quatro votos a um. Os quatro oficiais da Aeronáutica, que fazem parte da auditoria, votaram pela condenação do controlador. A juíza Vera Lúcia Conceição foi a única a votar pela absolvição do sargento. Jomarcelo, que estava de plantão na torre de controle de Brasília no dia no acidente, foi acusado de negligência. Ele não informou aos outros controladores, responsáveis pelo tráfego aéreo naquele momento, que o jato Legacy estava acima da rota prevista inicialmente. Também não avisou que o jato estava com o transponder desligado.

O transponder é um equipamento anticolisão. Se estivesse em funcionamento, os pilotos do Legacy teriam sido alertados sobre a aproximação do Boeing da Gol e poderiam evitar o acidente. Os oficiais da Aeronáutica entenderam que o descuido de Jomarcelo fez parte do conjunto de falhas que resultaram no choque entre os dois aviões e na queda no Boeing. Eles chegaram à conclusão mesmo depois da promotora Ione Cruz pedir a absolvição de Jomarcelo e de outros quatro controladores: João Batista da Silva, Felipe dos Reis, Lucivando de Alencar e Leandro Barros.

As condutas isoladas deles não poderiam ser consideradas criminosas ou responsáveis, como um todo, pela queda do avião. Mesmo que eles tivessem cumprido todas as normas, os aviões colidiriam do mesmo jeito porque o Legacy estava com o transponder desligado disse a promotora. O advogado Roberto Sobral disse que vai recorrer contra a condenação ao plenário do Superior Tribunal Militar (STM).

Ele alega que as falhas foram cometidas pelos superiores hierárquicos que escalaram Jomarcelo para trabalho, pois ele não fala inglês e não poderia trabalhar numa área de controle de vôos internacionais. Não foi permitido provar que ele não fala inglês e estava obrigado a sentar em um console para coordenar voo de pilotos estrangeiros disse Sobral.

Justiça Militar condena controlador envolvido em acidente da Gol; 4 são absolvidos

Justiça Militar condena controlador envolvido em acidente da Gol; 4 são absolvidos

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

A Justiça Militar condenou um e absolveu quatro controladores de tráfego aéreo acusados de contribuir com o acidente do Boeing da Gol, que se chocou em 29 de setembro de 2006 com um jato Legacy, no espaço aéreo da Amazônia. A decisão foi tomada nesta terça-feira.

O militar inativo João Batista da Silva e os militares da FAB (Força Aérea Brasileira) Felipe Santos dos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros foram inocentados dos crimes de descumprimento de providências previstas em normas para segurança de voo.

O militar Jomarcelo Fernandes dos Santos foi condenado a 1 ano e 2 meses de detenção pelo crime de homicídio culposo. Segundo o advogado Roberto Sobral, o acusado irá recorrer da decisão, em liberdade.

Segundo Sobral, Jomarcelo não sabe inglês, e foi induzido a ocupar um cargo que exige um nível de proficiência elevado da língua. Essa será uma das linhas de defesa dele.

A juíza Vera Lúcia da Silva Conceição foi a única em seu voto a absolver os cinco acusados, sob a argumentação de que para que haja condenação, deve haver a certeza de culpabilidade, o que "não ficou claro no processo".

A promotora do caso, Ione de Souza Cruz, responsável por apresentar a denúncia ao Conselho Permanente de Justiça, disse não identificar crime na conduta dos acusados. "Não há como atribuir a esses homens a responsabilidade penal do que aconteceu", afirmou.

O Conselho é formado por cinco membros, incluindo a juíza.

Jomarcelo e Lucivando respondem também por um processo criminal na Justiça Federal por falhas de procedimento que ocasionaram o acidente.

ACIDENTE

O Boeing da Gol que fazia o voo 1907 ia de Manaus (AM) para o Rio, com previsão de fazer uma escala em Brasília (DF). Ao sobrevoar a região Norte do país, ele bateu no Legacy da empresa de táxi aéreo americana ExcelAire. Os 154 ocupantes do avião morreram.

Os destroços do Boeing caíram em uma mata fechada, a 200 km do município de Peixoto de Azevedo (MT). Mesmo avariado, o Legacy, que transportava sete pessoas, conseguiu pousar em segurança em uma base na serra do Cachimbo (PA).

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Controller was scapegoat say the families of the victims

Controller was scapegoat say the families of the victims

The association of the families and friends of the Victims of Flight 1907 reacted with fear to the condemnation of the air traffic controller, Sergeant Jomarcelo Fernandes for the accident which occurred in 2006 with the Gol aircraft that carried 154 passengers on-board, all of which have died in the tragedy. The aircraft was travelling from Manaus to Brasilia when it was hit by one of the wings of a Legacy jet. The disaster is amongst the worst in the history of Brazilian aviation.

The fear is according to the president of the association, Angelita de Marchi, widow of Plínio Luiz de Siqueira Júnior, a Business man, is that the condemnation of Jomarcelo to 1 year and 2 months of imprisonment serves to “cover the real causes of the accident”.

"We know perfectly well, even if the controller has erred in the communication that the pilots of the Legacy (Joseph Lepore and Jan Paul Paladino) had a flight plan in their hands, but they didn’t follow it. They didn’t have intimate knowledge of their aircraft. There are grotesque failures, fatal as far as the pilots are concerned, and they have not even really testified so far” adding that the feeling of the families is of revolt.

"This feeling of impunity – each one makes what he wants and it stands as it is, due to other motives, instead of investigating the truth – this causes a feeling of revolt for the families. What we have gone through, the loss that we have experienced, nothing will make us to overcome this. It won’t be the amount of the indenisation, the scapegoats, nothing will. We would like to regain the dignity of these persons which have died and make sure that, for the least, we can believe in our country and our Justice”.

Coming back to the condemnation for manslaughter (when there is not intent to kill) of the sergeant, which is regarded by Angelita as a “scapegoat”, the association judges this as insufficient. In the analysis of the president of the entity, the Aeronáutica should also be held responsible for the accident.

"I believe the case is more extensive. There are failures in the system. The Aeronáutica is responsible for the persons which it puts to work there. It put a person there that didn’t have sufficient command of English to communicate with pilots and which didn’t use up-to-date equipment, and this all made these persons to take wrong decisions. This all is part of this case. This is not only the situation of air traffic controller Jomarcelo”.

Controlador foi bode expiatório, dizem famílias das vítimas

Controlador foi bode expiatório, dizem famílias das vítimas

A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 reagiu com receio à condenação do controlador de voo, sargento Jomarcelo Fernandes, pelo acidente, em 2006, com o avião da Gol, que carregava a bordo 154 passageiros, todos mortos na tragédia. A aeronave viajava de Manaus para Brasília, quando foi atingida por uma das asas de um jato Legacy. O desastre está entre os mais graves da aviação brasileira.

O temor, segundo a presidente da associação, Angelita de Marchi, viúva do executivo Plínio Luiz de Siqueira Júnior, é que a condenação de Jomarcelo a 1 ano e 2 meses de prisão, pela Justiça Militar, sirva para "encobrir a real causa do acidente".

"Sabemos perfeitamente que, embora o controlador tenha falhado na comunicação, os pilotos do Legacy (Joseph Lepore e Jan Paul Paladino) tinham uma carta de voo em mãos e não a seguiram. Eles não tinham conhecimento da aeronave. Existiram falhas grotescas, fatais por parte dos pilotos e eles sequer depuseram ainda" diz, acrescentando que o sentimento entre os familiares é o de revolta.

"Essa sensação de impunidade - cada um faz o que quer e fica por isso mesmo, por conta de interesses outros que não o de se apurar a verdade - causa um sentimento de revolta nos familiares. O que nós passamos, a perda que tivemos, nada vai fazer com que a gente supere. Não é valor de indenização, bode expiatório, nada disso. Queremos resgatar a dignidade dessas pessoas que faleceram e fazer com que, pelo menos, a gente possa acreditar no nosso País, na nossa Justiça".

Ainda sobre a condenação por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) do sargento, considerado por Angelita como "bode expiatório", a associação classifica de insuficiente. Na avaliação da presidente da entidade, a Aeronáutica também deveria responder pelo acidente.

"Acho que a coisa é mais abrangente. Existe uma falha no sistema. A Aeronáutica é responsável pelas pessoas que coloca para trabalhar lá. Ela colocou uma pessoa que não tinha inglês suficiente para se comunicar com os pilotos e não utilizou equipamentos atualizados, o que induziu esse pessoal a tomar uma decisão errada. Tudo isso é parte desse contexto. Não somente a situação do controlador Jomarcelo".

Leia a seguir a entrevista realizada pelo Terra Magazine:

Qual a opinião dos familiares da vítima sobre a condenação, pela Justiça Militar, do controlador de voo, sargento Jomarcelo Fernandes, a 1 ano e 2 meses de prisão?

Angelita de Marchi - Esse é um assunto bastante polêmico. A Justiça Militar deu o seu parecer, colocando toda essa situação no controlador de voo. Acho que a coisa é mais abrangente. Existe uma falha no sistema. A Aeronáutica é responsável pelas pessoas que coloca para trabalhar lá. Ela colocou uma pessoa que não tinha inglês suficiente para se comunicar com os pilotos e não utilizou equipamentos atualizados, o que induziu esse pessoal a tomar uma decisão errada. Tudo isso é parte desse contexto. Não somente a situação do controlador Jomarcelo.

Acho que ele teve falhas. Todo esse processo teve uma série de falhas, mas ele está sendo um bode expiatório. O ponto principal, que é a falha da Aeronáutica, não está sendo explorado adequadamente.

Então, para os familiares, a condenação do controlador é insuficiente?

Sem dúvida. Nós, da associação, esperamos que isso não venha a encobrir a real causa do acidente. Isso (os problemas no controle do voo) foi uma série de fatores que não evitaram que o acidente acontecesse. Não causaram o acidente. Sabemos perfeitamente que, embora o controlador tenha falhado na comunicação, os pilotos do Legacy (Joseph Lepore e Jan Paul Paladino) tinham uma carta de voo em mãos e não a seguiram. Eles não tinham conhecimento da aeronave. Existiram falhas grotescas, fatais por parte dos pilotos e eles sequer depuseram ainda.

Esperamos que a condenação do controlador não seja usada para mascarar essa situação, que ainda não está esclarecida e que é a mais importante para nós, os familiares das vítimas. É claro que não podia deixar de se apurar o que ocorreu em relação aos controladores. Isso é importante não só para esse acidente, mas para nós que usamos esse meio de transporte.

Você destacou que os pilotos do Legacy sequer depuseram. Qual é o sentimento dos familiares?

O sentimento é de impunidade. Não no sentido de você querer achar um culpado e ponto final. É de clareza, de esclarecimento, de a gente ter certeza de que as coisas funcionam. Esses pilotos que cometeram tantas heresias... Se isso fosse apurado adequadamente, seria uma forma de você utilizar como exemplo para aviação. Saber que os pilotos não podem sair por aí, fazendo o que querem. Tem que ter responsabilidade. As leis não está aí para encher livros. Elas têm que ser cumpridas.

Essa sensação de impunidade - cada um faz o que quer e fica por isso mesmo, por conta de interesses outros que não o de se apurar a verdade - causa um sentimento de revolta nos familiares. O que nós passamos, a perda que tivemos, nada vai fazer com que a gente supere. Não é valor de indenização, bode expiatório, nada disso.

Queremos resgatar a dignidade dessas pessoas que faleceram e fazer com que, pelo menos, a gente possa acreditar no nosso País, na nossa Justiça.

Vocês tentaram contato com a American Airlines, onde o Paladino trabalha e não foram recebidos.

Essa é uma situação clara de como as empresas aéreas tratam seus clientes. É um absurdo. Fomos procurar a American Airlines justamente para cobrar deles essa co-responsabilidade por uma coisa que eventualmente possa acontecer, porque esse piloto responde a dois processos criminais no Brasil e continua transportando pessoas.

Se você pensar nos erros que ele possa vir a cometer. Imagina o psicológico das pessoas se, no momento do voo, ele se identifica? "Nossa, aquele que estava pilotando o avião que matou 154 passageiros?" Se sou eu, posso ter uma crise, posso surtar dentro do avião.

É muita irresponsabilidade das companhias aéreas manter uma pessoa transportando outras pessoas, sendo que está respondendo a processo criminal. A American Airlines simplesmente ignorou as cartas que enviamos, a caixa preta simbólica, contendo a transcrição das caixas pretas do avião da Gol e do Legacy. Não houve retorno, manifestação nenhuma. Lamentável. Não estamos falando apenas como familiares das vítimas. Estamos, também, falando como usuários desse meio de transporte.

O que a Associação pretende fazer a partir de agora?

Vamos nos reunir nesta quarta-feira (27) para definir nossa ação daqui pra frente. Com certeza, vamos continuar acompanhando e trabalhando, fazendo o possível para que as coisas não sejam mascaradas. Considero que essa condenação do Jomarcelo é só, vamos dizer assim, para que haja uma satisfação à sociedade, e não simplesmente para que se apurem os fatos. Esperamos que essa condenação não seja um ponto final, mas o início de algo maior. A coisa precisa ser transparente. Não é a Angelita, a associação, mas toda a sociedade que espera isso dos nossos governantes e da nossa Justiça.

Fonte: Terra Magazine