sábado, 31 de outubro de 2009

Susto na aterrisagem – Correio Braziliense – 31/10/09

Susto na aterrisagem – Correio Braziliense – 31/10/09

A aeronave se preparava para pousar em Brasília quando o piloto foi forçado a arremeter. Segundo passageiro, ele lhes disse que havia outro avião na pista.

Leilane Meneses

Os 128 passageiros do Boeing 737-700 que fez o vôo 1846 da Gol passaram por um susto durante o pouso no Aeroporto Internacional de Brasília, por volta das 15 h de ontem. O piloto teve de arremeter para não colidir com outro avião, do vôo 3079 da TAM, que seguia da capital do país para Porto Alegre (RS). Segundo informações de passageiros, o piloto explicou que a torre de controle de vôo autorizou a aterrissagem do avião da Gol ao mesmo tempo em que o da TAM decolava, a partir da mesma pista. A aeronave que arremeteu vinha do aeroporto de Guarulhos (SP).

O presidente da Associação dos Controladores de Vôo do DF, Edleuzo Souza Cavalcante, confirma o problema e garante que um dos controladores errou. A Aeronáutica, porém negou qualquer falha. Por meio do centro de comunicação, informou que procedimentos de arremeter sã comuns e, no caso do avião da Gol, foi uma decisão do piloto, pois havia um espaço para pouso.

O empresário João Carlos Bruno, 56 anos, estava na aeronave. O morador do Sudoeste, que registrou uma reclamação formal na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), relatou o momento de pânico: “As pessoas gritaram e passaram mal. Médicos tiveram de ser acionados para acalmar os passageiros. O piloto comunicou a todos nós que a torre tinha dado uma informação errada”.

A Anac informou que os aviões têm autorização prevista nas normas da instituição para arremeter quando o piloto achar necessário. O manual de operações do tráfego aéreo, o ICA 100-12, também prevê a medida de emergência. No momento da aterrissagem, o avião está com a parte frontal em ângulo apontada para baixo. A aeronave volta a subir quando o piloto aciona equipamentos que aumentam a potência do motor. Dessa maneira, o avião ganha força para efetuar a manobra. Entretanto, caso o piloto percebe muito perto da pista a necessidade de arrementer, aumentam as chances de acidentes.

Controlador de vôo aponta falhas graves

Pelo menos 17 falhas graves foram registradas pelo controle de vôo do DF neste ano. A afirmação é do presidente da Associação dos Controladores de Vôo do DF, Edleuzo Souza Cavalcante. “Estão acontecendo muitos problemas. Em 2009, constatamos um número muito alto de infrações graves em chegas de aviões a Brasília. Alguns aviões passaram perto demais uns dos outros, em outros casos receberam informações erradas para pousar”, denuncia Cavalcante. Ainda segundo ele, por volta de 50 controladores pediram demissão nos últimos meses. Outros 150 foram contratados. “Mas ainda falta pessoal. Os novatos recebem um treinamento péssimo. Antes, eram 240 horas de aulas para se controlador, agora são apenas 90 horas. Por isso, ocorrem erros como o de ontem, que foi culpa total do controlador”, reclama.

A falta de experiência dos profissionais em atuação preocupa o presidente da associação. “Estamos hoje com uma leva de controladores de vôo muito enexperientes. A situação é crítica”, relata. Cavalcante pretende protocolar uma reclamação por escrito na Aeronáutica. “Vamos alertar as autoridades responsáveis sobre tudo o que está acontecendo. Porque depois, quando o pior vier, os responsáveis pela organização do espaço aéreo vão dizer que não sabiam de nada e vamos falar: “nós avisamos”, conclui. A Aeronáutica, por meio do Centro de Comunicação, informou que não vai comentar as informações da Associação dos Controladores de Vôo do DF.

De acordo com a assessoria de imprensa da Gol, a empresa não havia sido notificada sobre o problema de ontem até o fim da tarde. Mas, em nota, a corporação informou que é normal as aeronaves arremeterem. A empresa alegou que, embora esse seja um procedimento que requeira cuidado, não é uma ação extraordinária e ocorre com freqüência. A Gol ressaltou que a medida de arremeter foi adotada pelo comandante do vôo tendo como prioridade a segurança dos passageiros e de mais tripulantes.

Feriado

Diariamente, passam pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em média, 30 mil pessoas. Com o feriado prolongado do Dia de Finados, esse movimento deve aumentar em 50%, ou seja, até segunda-feira, circularão por volta de 45 mil passageiros por dia no terminal. Em setembro deste ano, o número de embarques e desembarques no local bateu recorde – 1.074.882 passageiros, 32% a mais que o número verificado no mesmo mês do ano passado. O predomínio foi de passageiros em conexão. Desde julho, o total mensal de pessoas que embarcam ou desembarcam no aeroporto supera a marca de um milhão.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

País recupera confiança no controle do tráfego aéreo

País recupera confiança no controle do tráfego aéreo

Cortes devem atingir verbas não ligadas à segurança de voo

O fim dos cortes nos recursos para segurança de voo e controle do espaço aéreo brasileiro, resultado das duas CPIs que trataram do apagão aéreo no Congresso, exemplifica bem o que acontece quando as dotações deixam de ser contingenciadas. "Passamos a ter capacidade de cumprir o planejado", afirmou o secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica, brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, ao Jornal do Senado.

A preservação do orçamento foi fundamental, continuou, para o Brasil conquistar 95% de confiabilidade no seu sistema de controle do tráfego aéreo, comprovado por auditoria este ano da Organização de Aviação Civil Internacional. "Só perdemos para o Canadá. Estamos à frente de países como Estados Unidos e Inglaterra", comparou o brigadeiro. Esse programa contará com R$ 999,21 milhões em 2010, um aumento de 51,5% sobre o montante autorizado este ano, conforme dados do Siga Brasil.

No entanto, as verbas restantes da Força ainda estão sujeitas a cortes. Moura Azevedo informou que R$ 1,6 bilhão foi contingenciado este ano. A Força Aérea Brasileira (FAB), que precisa de 175 mil horas de voo para cumprir sua missão de patrulhamento do espaço aéreo do país, só alcançará, segundo ele, 150 mil horas este ano. Apenas 400 aeronaves, da frota de 750, estão voando. "As 350 restantes estão paradas para manutenção", citou para mostrar o aperto nas verbas de custeio. A FAB está tentando descontingenciar R$ 127 milhões para abastecer seus aviões.

A situação para 2010 também é preocupante. A FAB, que saiu na frente das outras Forças no seu plano de modernização, formulado a partir da década de 1990, vai sofrer decréscimo de 19,4% nos recursos orçados para seu reaparelhamento e adequação na comparação dos dois exercícios. Em 2010, está previsto R$ 1,17 bilhão para esse programa dentro de um total de investimentos de R$ 2,63 bilhões.

Essa restrição orçamentária ocorre ao mesmo tempo em que o país negocia com França, Suécia e Estados Unidos a aquisição e transferência de tecnologia de 36 caças supersônicos. Além disso, a FAB tem de dar prosseguimento a contratos importantes como, por exemplo, com a Eurocopter francesa para a fabricação de 50 helicópteros que serão distribuídos entre as três Forças, e com a Embraer.

sábado, 3 de outubro de 2009

Jornalista que estava no jato Legacy é notificado sobre processo após um ano

Jornalista que estava no jato Legacy é notificado sobre processo após um ano

Aeronave se chocou com Boeing da Gol no Mato Grosso, em 2006.

Acidente provocou a morte de 154 passageiros e tripulantes do voo 1907.
Glauco Araújo Do G1, em São Paulo

O jornalista norte-americano Joe Sharkey, que estava no jato Legacy quando ocorreu o choque com o Boeing da Gol, em 29 de setembro de 2006, foi notificado, na semana passada, a apresentar a defesa em um processo de calúnia e difamação movido por Rosane Gutjhar, viúva de uma das 154 vítimas do acidente, que completa três anos nesta terça-feira (29). Segundo a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, após a notificação, Sharkey tem prazo legal para fazer suas alegações.

O processo foi aberto pelo advogado Dante Aquino, que representa a Rosane. Segundo a ação, o jornalista norte-americano teria influência na mídia e teria lançado uma campanha em seu blog na internet em prol dos pilotos do jato, Joe Lepore e Jan Paladino. O objetivo do jornalista, ainda de acordo com os advogados da viúva, seria o de comover a população dos EUA a impedir o retorno dos pilotos ao Brasil.

Segundo a assessoria de imprensa da associação, o jornalista teria tentado driblar a entrega da notificação pelos oficiais de Justiça dos Estados Unidos. A ação foi protocolada em 26 de setembro de 2008, em Curitiba. O advogado de Rosane sugere como parâmetro para a indenização por danos extrapatrimoniais, valores que o jornalista seria condenado em seu próprio país.

O acidente

No dia 29 de setembro de 2006, um Boeing da Gol, que fazia o voo 1907, de Manaus para Brasília, se chocou em pleno ar com um jato Legacy, que seguia de São Paulo rumo aos Estados Unidos. O Boeing caiu em uma região de mata fechada no Norte de Mato Grosso.

O acidente deixou 154 mortos - incluindo passageiros e tripulantes da aeronave. O Legacy conseguiu pousar em uma base aérea no Sul do Pará. Os sete ocupantes do jato sobreviveram.