sexta-feira, 25 de setembro de 2009

89 controladores de voo são denunciados

89 controladores de voo são denunciados

Militares são acusados pelo Ministério Público de atentar contra o tráfego aéreo em motim que causou apagão aéreo Dois sargentos acusados de liderar a paralisação dos controladores de voo, em março de 2007, podem ainda ser expulsos da FAB

O Ministério Público Militar ofereceu denúncia à Justiça contra os 89 controladores de voo militares que participaram da paralisação do tráfego aéreo em 30 de março de 2007. Naquele dia, todos os voos do país foram interrompidos por 30 horas, gerando o que ficou conhecido como apagão aéreo.

A instituição acusa especificamente os sargentos Edleuzo Cavalcante e Carlos Trifílio, apontados como líderes do motim, pela prática de "incitação" e pede que eles sejam expulsos da FAB (Força aérea Brasileira). Todos os demais responderão por desobediência e atentado contra o tráfego aéreo. A informação foi publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Após o choque no ar do Boeing da Gol com um jato Legacy, em setembro de 2006, os controladores militares iniciaram protestos contra excesso de trabalho, falhas nos equipamentos e defasagem tecnológica dos Cindactas (Centros Integrados de Defesa aérea e Controle do Tráfego Aéreo), que resultaram na paralisação.

Inicialmente, os controladores ficaram aquartelados sem trabalhar no Cindacta 1 (Brasília). Depois, o movimento se expandiu para outras regiões.

O MPM caracteriza o ato dos controladores como uma "conspiração" que teria se iniciado após o acidente.

"A data de 30 de março de 2007 foi intencionalmente escolhida para a suspensão dos trabalhos. Naquela dia, haveria uma confraternização no Cindacta 1, o presidente da República, o vice-presidente, o ministro da Defesa, a ministra-chefe da Casa Civil e a procuradora-geral de Justiça Militar estavam fora de Brasília e, para completar o ciclo de circunstâncias favoráveis, o comando da Força aérea acabara de ser trocado e o próprio Cindacta 1 estava mudando de chefia", diz.

O advogado da ABCTA (Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo), Roberto Sobral, criticou ontem o que chamou de ligação "espúria" entre o Ministério Público e a Justiça militares. "O Ministério Público não teve a coragem de dizer quais crimes de fato foram cometidos."

"Esperamos que movam o processo até que ele chegue ao Supremo, onde iremos mostrar que a Justiça Militar é uma Justiça de exceção", afirmou.

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