sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

RESPOSTA AO JORNAL O GLOBO, EM 15 DE JANEIRO DE 2009

RESPOSTA AO JORNAL O GLOBO, EM 15 DE JANEIRO DE 2009

Com relação à matéria do jornal O GLOBO, de 15 de janeiro de 2008, intitulada “Controladores criticam conclusão brasileira sobre acidente do vôo 1907 da Gol”, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) gostaria de esclarecer alguns pontos que, aparentemente, passaram despercebidos na apuração jornalística desse conceituado veículo de comunicação.

O sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro não representa um “risco claro” e diretamente ligado àquela colisão (vôo 1907). Vale lembrar que as funcionalidades do software X-4000, que estiveram no centro dessa polêmica, são usadas no país desde os anos 80, oriundas ainda da versão francesa que serviu ao Brasil. Os controladores de tráfego aéreo não só são treinados para utilizar o X-4000, como participam diretamente da modernização desse programa, haja vista serem os operadores finais do produto.

O próprio Tribunal de Contas da União, que avaliou as funcionalidades do Programa X-4000, esclareceu em acórdão: “não há como afirmar que tal sistema não é seguro para a prestação do serviço de controle de tráfego aéreo”. De fato, o Relatório Final conclui que o sistema de controle do tráfego aéreo em si não foi fator contribuinte para a ocorrência desse acidente.

Paralelamente, ao se consultar a Tabela de Fatores Contribuintes para Acidentes na Aviação Civil de 1998 a 2007 (fonte: www.cenipa.aer.mil.br , link PPAA), pode-se verificar que, dos mais de 20 fatores que contribuíram com acidentes no país, o controle de tráfego aéreo se destaca por ser o fator menos presente, com apenas 0,8% (é o menor índice!).

Cabe destacar ainda que em Montreal (Canadá), durante a 36ª Sessão da Assembléia Geral da OACI, ocorrida de 18 a 28 de setembro de 2007, especialistas em aviação de vários países ratificaram o Brasil no grupo de elite dos países que tem melhor capacidade de administrar seu tráfego Aéreo.

No tocante ao Relatório Final do acidente da GOL, vale ressaltar ainda que este documento não é o principal produto da investigação técnica, mas sim as recomendações de segurança (RSV) nele contidas. O que isso significa? Recomendação de Segurança de Vôo é o estabelecimento de uma ação ou conjunto de ações que podem ser dirigidas ao público em geral, a grupos de usuários específicos ou a uma determinada organização pública ou privada, referente a uma circunstância específica que exija atenção, visando à eliminação ou ao controle de uma condição de risco. Em suma, é o resultado final das inúmeras ações que são tomadas para a prevenção de acidentes aeronáuticos e, nesse sentido, a principal ferramenta utilizada para o aprimoramento dos níveis de segurança operacional.

Dentre as 60 Recomendações de Segurança de Vôo formuladas por ocasião desse acidente, todas disponíveis no Relatório Final, metade foram destinadas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Portanto, o Comando da Aeronáutica entende que a investigação desse acidente foi oportuna para apresentar ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) recomendações que visam, justamente, aperfeiçoar o Sistema de Controle do Tráfego Aéreo Brasileiro.

Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO

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