quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O GLOBO: Controladores criticam conclusão brasileira sobre acidente do vôo 1907 da Gol

Controladores criticam conclusão brasileira sobre acidente do vôo 1907 da Gol

Leila Suwwan
O GLOBO

BRASÍLIA - A Federação Internacional das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca) criticou a Aeronáutica brasileira por se omitir na melhoria do sistema computadorizado utilizado para monitorar vôos no país. O organismo, que representa a categoria em 130 países, utilizou as conclusões dos técnicos norte-americanos da investigação sobre o acidente do vôo 1907 da Gol, em setembro de 2006, para reiterar a preocupação com o sistema, que representa um risco claro e diretamente ligado à colisão, que deixou 154 mortos.

De acordo com o relatório final do NTSB (sigla em inglês para o órgão de segurança em transportes dos EUA), o sistema brasileiro que atualiza automaticamente o nível de vôo autorizado na tela do controlador, sem que este tenha autorizado, verificado ou repassado a informação, pode induzir a erros: ".. o uso da mudança automática do campo "altitude autorizada" tem o potencial de induzir controladores ao erro, é uma configuração fraca de fator humano e um achado claro de risco. De fato, esse foi um dos primeiros eventos diretamente ligado ao cenário do acidente".

Para a Ifatca, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) "perdeu a chance" de aperfeiçoar o sistema e "curar feridas" no setor ao ignorar essa conclusão. De acordo com a nota divulgada à imprensa, os técnicos brasileiros não deveriam ter ignorado o tema: "Os equipamentos envolvidos no cenário da ocorrência não apresentaram falhas de configuração, já que funcionaram no escopo de suas especificações no dia do acidente, removendo a possibilidade de contribuição dos sistemas de comunicação e monitoramento".

Durante a apresentação do relatório final à imprensa, o Cenipa argumentou que os controladores são treinados e conhecem as configurações dos sistemas de controle, portanto entendem as informações e a dinâmica dos dados apresentados na tela radar.

- O mero fato de que um equipamento funcionou de acordo com suas especificações não significa que as especificações foram bem configuradas. Para conseguir identificar falhas na configuração, o conteúdo das especificações precisa ser analisado - disse Bert Ruitenberg, especialista em fatores humanos, em nota técnica da Ifatca.

A polêmica sobre o equipamento de controle aéreo brasileiro integra a defesa dos controladores brasileiros nos processos criminais que enfrentam na Justiça Federal e na Justiça Militar por causa do acidente. Controladores também acusam a FAB de perseguir e retaliar controladores que revelaram as dificuldades agora confirmadas.

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