domingo, 7 de dezembro de 2008

Pilotos deligaram transponder

Pilotos desligaram transponder

Documento da Aeronáutica revela falhas no segundo maior acidente aéreo brasileiro

da redação


A segunda maior tragédia da aviação brasileira que deixou 154 mortos no dia 29 de setembro de 2006, envolvendo um Boeing da Gol, vôo 1907, e o jato Legacy poderia ter sido evitado se o transponder estivesse ligado. Esta é a conclusão do relatório da Aeronáutica que será divulgado na próxima semana. O documento revela que o equipamento estava em perfeitas condições. Ficou comprovado que houve falha também por parte dos controladores de vôo, que não forneceram aos pilotos do jato informações precisas sobre a altitude que deveriam seguir.

Com 261 páginas, o relatório aponta uma sequência de erros que levaram ao acidente. Os problemas, segundo a Aeronáutica, começaram a partir de São José dos Campos, onde a aeronave pilotada pelos americanos Joe Leporace e Jan Paladino, decolou. A investigação mostrou que o operador não foi claro ao dar a instrução aos pilotos, dizendo que deveriam voar a 37 mil pés no trecho entre a cidade paulista e o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus.

O correto seria ter seguido até Brasília nessa altitude, mudando de nível quando estivessem sobrevoando o Mato Grosso, passando para 36 mil pés, o que teria evitado o choque entre os dois aviões. Os controladores de vôo de Brasília não perceberam que o Legacy estava em altitude errada. Durante a troca de turno o novo operador foi informado de que a aeronave estava voando a 36 mil pés, embora estivesse em rota de colisão com o Boeing.

A investigação comandada pelo Centro de Investigação e Prevenção de acidentes Aéreos (Cenipa) foi detalhada tanto no texto e na reconstituição de tudo o que se passou com os dois aviões, feito com base nos dados das caixas-pretas e dos radares em terra. E revelou que o operador não checou com os pilotos porque o transponder estava desligado.

O documento mostrou que durante 50 minutos não houve contato entre o Legacy e controle de tráfego aéreo. O que só foi ocorrer quando o monitoramento passou para os operadores de Manaus, que receberam a informação errada da altitude. Os pilotos teriam tentado falar com os controladores de Brasília pedindo que repetissem as frequências que deveriam usar, mas não tiveram contato. Procuraram o Cindacta I (Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo), que também não ouviu, já que no mesmo momento uma outra aeronave acionou o botão de chamada. Quando isto acontece, nenhum dos rádios recebem e não se ouve ninguém.

Desconhecimento
O relatório da Aeronáutica aponta que os pilotos americanos não conheciam direito o jato que estavam pilotando, sendo que um deles tinha só cinco horas de vôo neste tipo de jato, e as regras de vôo utilizadas no país, que seguem o padrão da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, em inglês). No entanto, os pilotos do Legacy optaram por seguir os procedimentos da Agência Federal de Aviação (FAA), dos Estados Unidos, que determina a manutenção do plano de vôo até que a torre de controle dê ordem contrária.

O plano de vôo teria sido elaborado por uma empresa terceirizada. Ficou constatado que os passageiros não queriam sobrevoar a Amazônia à noite e que um dos pilotos ficou fora da cabine por 16 minutos, pouco antes do choque. A análise do acidentes mostra que caso o transponder estivesse ligado, o sistema anticolisão poderia ter sido acionado e que um dos pilotos, sem perceber, desligou o equipamento.

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