terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Parentes acompanhan leitura de relatório final

Parentes acompanham leitura de relatório final

DESASTRE AÉREO - Famílias das 154 vítimas do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro de 2006, exigem da Aeronáutica acesso completo às 261 páginas do documento

São Paulo – Parentes das vítimas do Vôo 1907 da Gol solicitaram à empresa passagens aéreas para que possam acompanhar a divulgação do relatório final do acidente que deixou 154 mortos. A Aeronáutica informou que vai apresentar o relatório final sobre o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy às famílias das vítimas amanhã, em Brasília. No desastre, 154 pessoas morreram.

O relatório deve mostrar que o transponder do jato Legacy, que colidiu com o Boeing da Gol, foi manuseado de forma errada pelos pilotos americanos e entrou em modo stand by. Se o equipamento estivesse operando normalmente, teria desviado o aparelho do avião da companhia brasileira. O relatório tem 261 páginas e os familiares querem ter acesso à íntegra do documento.

A carta com a solicitação das passagens aéreas para acompanhar a leitura do relatório é assinada pela presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Angelita de Marchi. O documento é endereçado a Nenê Constantino de Oliveira e Constantino de Oliveira Júnior. Oliveira Júnior é presidente da companhia. A presidente da entidade pede que seja liberada ao menos uma passagem aérea por família que queira comparecer a Brasília.

A investigação do acidente, comandada pelo Centro de Investigação e Prevenção de acidentes Aeronáuticos (Cenipa), foi detalhada não só em texto, mas numa reconstituição de tudo o que se passou com os dois aviões. O trabalho tem mais de duas horas e foi todo feito com base nos dados das caixas-pretas e dos radares em terra.

De acordo com a nota da Aeronáutica divulgada sábado, as famílias foram convidadas para participar da apresentação do documento. A Aeronáutica informou ainda que só vai divulgar o conteúdo do relatório depois de cumprir o compromisso de dar as informações primeiro aos parentes das vítimas.

INDIGNAÇÃO Entre os parentes das vítimas, o sentimento é de indignação e ansiedade pela leitura do relatório. A irmã do executivo Plínio Luiz da Siqueira, de 38 anos, que estava no vôo da Gol, Juliana Siqueira, de 43, participa hoje da reunião em Brasília. “Espero que o relatório seja fiel, claro e verdadeiro sobre a culpa dos pilotos do Legacy. Todos os familiares estão ansiosos para receber as informações. Se o transponder não estivesse desligado, era a chance de salvar aquelas vidas. O que nos deixa indignados é que eles (os pilotos) foram embora (para os Estados Unidos) sem dar qualquer declaração.”

Conforme a Aeronáutica, as informações dão contam de que “não foram encontrados erros de projeto ou de integração nos equipamentos de comunicação, transponder e TCAS (sistema anticolisão) do Legacy”, e que, em depoimento, os dois pilotos americanos disseram que “não realizaram nenhuma ação intencional para a interrupção do funcionamento do transponder e, conseqüentemente, do sistema anticolisão da aeronave.”

“Algumas normas e procedimentos não foram corretamente executados na ocorrência, o que levou a comissão a analisar os motivos pelos quais isto ocorreu, com o objetivo de elaborar recomendações de segurança de vôo. As considerações serão prestadas no relatório final”, informou a Aeronáutica, em nota.

MUDANÇA A Aeronáutica informou ontem que vai aperfeiçoar o sistema de identificação de aeronaves nos radares dos Cindactas, os quais mudarão de cor quando o avião perder o sinal do transponder – equipamento que permite informar exatamente o ponto onde ele se encontra. A troca da cor da etiqueta que indica a aeronave no radar será mais um alerta para o controlador de tráfego aéreo ficar atento e verificar o que está acontecendo quando o avião sumir da sua tela.

Em decorrência do acidente da Gol, o Centro de Investigação e Prevenção de acidentes Aeronáuticos (Cenipa) elaborou 65 recomendações para os diversos setores de aviação civil envolvidos no acidente. Muitas foram emitidas pouco depois do acidente e já estão em prática desde aquela época e serão divulgadas para o público assim que forem apresentadas às famílias das vítimas hoje.

A troca imediata da cor das etiquetas no momento em que o transponder for desligado, procedimento a ser adotado para chamar a atenção do controlador, no entanto, só começará a funcionar no fim do ano que vem, quando houver modificação do software usado no programa de controle do tráfego aéreo. O Cindacta IV, de Manaus, será o primeiro a receber esta melhoria no seu equipamento.

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