domingo, 7 de dezembro de 2008

FAB: erro de pilotos do Legacy foi determinante no acidente da GOL

FAB: erro de pilotos do Legacy foi determinante no acidente da GOL

Relatório final da Aeronáutica sobre o choque entre Boeing da Gol e jatinho pilotado por americanos indica que desligamento de transponder desencadeou uma série de erros que culminaram no desastre


BRASÍLIA – O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), sobre a queda do Boeing da Gol em setembro de 2006 aponta que uma falha dos pilotos Joe Lapore e Jan Paladino, do Legacy que colidiu com a aeronave brasileira, foi determinante para o acidente que matou 154 pessoas. Os americanos, inadvertidamente, desligaram o transponder, que é um “localizador” mas também alerta sobre possível choque com objetos em vôo e altera automaticamente a rota do avião.

O documento de 261 páginas não livra de culpa, porém, o controle nacional de tráfego aéreo. Ao contrário, cita vários erros desde a saída do Legacy de São José dos Campos (SP). Houve falhas no controle de tráfego sediado em Brasília (Cindacta-1) e interferência nas comunicações por uma terceira aeronave, evento considerado extraordinário pelo Cenipa. As informações foram antecipadas pelos jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Segundo o relatório, os pilotos do Legacy desligaram o transponder (posto em stand-by) sete minutos após a passagem do jato por Brasília. Nos 58 minutos seguintes, o equipamento permaneceu desligado. Ele só voltou a ser acionado três minutos após a colisão do Legacy com o Boeing sobre a Serra do Cachimbo (MT).

Os erros começaram no interior de São Paulo, quando os controladores mandaram o Legacy voar a 37 mil pés no trecho São José dos Campos-Eduardo Gomes (Aeroporto de Manaus). No entanto, como indicava corretamente o plano de vôo do trajeto, tal altitude deveria ser mantida só até Brasília, onde deveria haver a mudança para 36 mil pés.

O monitoramento de tráfego aéreo em Brasília falhou quatro vezes. Primeiro, o controlador não checou se o Legacy, ao entrar na área, passou a voar a 36 mil pés. Depois o mesmo militar informou que esta era a posição do jato ao seu substituto, na troca de turno. Os controladores também não perceberam que o transponder do jato estava desligado. Sem ele, a comunicação entre Cindacta-1 e o Legacy foi interrompida por 50 minutos. Houve sete tentativas de contato entre controladores e os pilotos, todas fracassadas. Na última tentativa, um terceiro avião acionou o sistema de chamada ao mesmo tempo.

No último erro na capital federal, quando o Legacy passou à responsabilidade do Cindacta-4 (de Manaus), a altitude informada foi mais uma vez a de 36 mil pés, embora o Legacy estivesse efetivamente a 37 mil pés, a rota usada pelo Boeing da Gol que decolara de Manaus.

O Cenipa indica ainda o despreparo dos americanos, que não teriam conhecimentos sólidos sobre o Legacy e as regras de aviação do Brasil. Em vez de seguirem o padrão internacional – o plano de vôo deve ser rigorosamente seguido – eles adotaram o padrão americano, pelo qual o plano de vôo é a orientação, até uma ordem em contrário.

O relatório aponta que um dos pilotos teria apenas cinco horas de vôo em Legacy e que a equipe estivera com pressa em decolar por não querer sobrevoar a Amazônia à noite. E outro fator: um dos pilotos teria também ficado 16 minutos fora da cabine do Legacy pouco antes da colisão.

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