sexta-feira, 3 de outubro de 2008

NOTA ABCTA: Jamais esqueremmos! (2 anos após)

NOTA - 29 de setembro de 2006: Jamais Esqueceremos!

Data: 29/09/2008

Hoje faz dois anos que duas aeronaves “caprichosamente” tocaram-se no espaço aéreo amazônico, resultando na morte de 154 pessoas inocentes. Na realidade não foi tão caprichosamente e tão pouco por força do destino, como muitos querem acreditar. Nós que atuamos na proteção ao vôo e que somos representantes dos controladores não podemos nos conformar com tais circunstâncias, por isso fizemos a escolha contrária a da maioria: o da não omissão!

No decorrer destes dois anos muitas inverdades foram publicadas, muitos interesses defendidos, mas na realidade até o presente momento todos estão perdendo uma grande oportunidade para avançarem em um objetivo único: a segurança de quem voa e de quem controla!

A forma como o CENIPA - Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - tem conduzido o caso, somente reforça a necessidade da criação de uma secretaria independente de investigação, conforme orientação da Organização da Aviação Civil Internacional, pois existe uma clara preocupação em defender os interesses do Comando da Aeronáutica. Em nenhum momento foi feita uma declaração de que a mudança automática dos níveis de vôo autorizado pelo solicitado pode induzir o controlador ao erro, no entanto ouvimos exaustivamente que o sistema não falhou, mas sim o homem, como se o mesmo não fizesse parte do sistema.

Atualmente os controladores sentem o peso do revanchismo militar, pois muitos estão sendo perseguidos, afastados e demitidos sem terem a chance de defender-se. Militares que antes da crise estavam no excelente comportamento, possuíam prêmios e eram tidos como exemplos de conduta, vivem em completo ostracismo, isolados em áreas que não condizem com suas formações profissionais, cumprindo expediente, mas sem função alguma, aguardando o próximo ato de tortura psicológica.

Fomos alvos de várias acusações levianas e a pior delas foi afirmar que a crise aérea foi resolvida com a saída das “lideranças negativas”. Os históricos que sucederam a saída dos “pseudos líderes” não condizem com esta afirmação: os atrasos continuaram por vários meses, aconteceram várias panes técnicas, outras quase colisões aéreas e o pior acidente da aviação brasileira que ainda carece de muitas explicações.
Independente de tudo que ocorreu, hoje é dia de honrar a memória de 154 vítimas inocentes. Que a Divina providência conforte seus familiares e amigos e dê serenidade para os que estão em litígio.

Apesar de todas as ameaças e pressões sofridas, não podemos nos omitir perante tamanha gravidade, por isso, mais uma vez a ABCTA vem externar a sua preocupação e pedir apoio junto às autoridades brasileiras e segmentos da sociedade civil organizada.

Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo

2 comentários:

César Rodrigues de Freitas disse...

Após dois anos, mudei um pouco a minha opinião sobre o acidente do voo 1907. Entendendo um pouco mais do assunto, ainda acho que foi o plano B, de alguns aloprados para influir no segundo turno das eleições. Mas diferentemente do que pensava antes, o papel dos pilotos do Legacy, foi o de conscientemente confundir as investigações, estando no local na hora da queda do GOL. Este provavelmente ficou incontrolavel após a passagem de algum supersonico da base aérea de Cachimbo, fez movimentos que danificaram sua estrutura, provocando sua queda em 52 segundos. Quanto ao voo 3054, o destino era Cumbica, os procedimentos foram intencionais, preparando o avião para arremeter. Havia um piloto em treinamento e o comandante estava como piloto instrutor. Como o ENG1 havia falhado anteriormente durante decolagem(Folha SP), o ENG2 seria o responsavel pela manobra. Para isto o reverso do ENG1 teria de estar pinado, e sua falha as 18:48:26, impediria a arremtida já configurada pelo sistema lógico do avião quando do touchdown.

ATCBrasil disse...

Caro César,

Muito obrigado pelo comentário bem interessante. Os dois acidentes que você menciona em seu comentário são sem duvida nenhuma bem complexos. Eles também são extremamente interessantes.

Eventos, onde a parte humana (piloto ou controlador aéreo) e a tecnologia (as ferramentas/computadores) não ficaram na mesma "lógica". Onde as duas partes não se entenderam completamente - houve uma certa "de-calagem" entre a parte humana e a parte tecnológica. Feito bem perigoso com fim catastrófico.

Sim, os avanços tecnológicos nos últimos 20 anos eram bem enormes e importantes e a segurança aérea progrediu bem neste período. Atenção, têm lembrar-se que os efeitos negativos desta automatização existem! E a tecnologização dos sistemas sofisticados obrigam-nós as se lembrar, com uma certa crueldade - até tragédia - que, se este avanço não se faz com alto cuidado e com grande seriedade, o preço à pagar é bem alto.

Estudos dos FATORES HUMANOS é a palavra mágica! Adotar uma visão SISTÊMICA levando em consideração TODOS OS ELEMENTOS dos sistemas complexos é necessária.

Procurar os possiveis "culpados" ou castigar os operadores implicados trabalhando no momento fatal não vai ajudar em nada - ao contrário..................

à meditar - ATC BRASIL