sábado, 23 de agosto de 2008

Agência Estado: TCU aponta riscos em sistema de radar dos Cindactas

Agência Estado
TCU aponta riscos em sistema de radar dos Cindactas

Relatório de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado e só divulgado na quarta-feira constatou falhas e riscos graves no sistema de visualização do radar X-4000, utilizado em todos os Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindactas) do País. O relatório aponta falhas e apresenta sugestões, considerando o sistema de Manaus, o Cindacta-4, o mais problemático, com "risco potencial do sistema parar de funcionar a qualquer momento".

Na conclusão, o relatório aconselha à Aeronáutica, entre vários itens, que estabeleça parâmetros objetivos para avaliação de tolerância a falhas; promova alterações no sistema X-4000 para impossibilitar o travamento de consoles de visualização decorrentes de comandos inseridos pelos usuários, por meio de combinações de teclas; e adquira as peças necessárias ao restabelecimento das consoles inoperantes do sistema X-4000.

Além disso, o documento recomenda alterações nos sistemas dos centros de controle de aproximação do Rio de Janeiro e de São Paulo para que apresentem a informação correta quando houver alteração no plano de vôo após a decolagem. Um trecho do relatório, de 83 páginas informa que "os controles de aproximação do Rio de Janeiro e de São Paulo, nos dias em que foram visitados pela equipe, possuíam algumas posições inoperantes".

De acordo com o documento, o Cindacta-4 é o mais problemático. "A situação do controle de aproximação de Manaus é por sua vez mais preocupante, pois há risco potencial do sistema parar de funcionar a qualquer momento devido à escassez no mercado de peças de reposição para seus computadores."

Segundo o relatório, 30 controladores, técnicos e gestores de vôos foram entrevistados em órgãos que atuam no tráfego aéreo, entre eles, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) - Rio de Janeiro. As entrevistas apontam que as deficiências técnicas constatadas estariam sendo ignoradas pelas autoridades aeronáuticas. Já os gestores afirmaram que as falhas existentes não comprometem a segurança do serviço de controle de tráfego aéreo.

Manutenção

Segundo uma fonte do Cindacta-4, uma das falhas mais importantes detectadas pelo relatório foi o fato de que não há contrato de manutenção dos equipamentos de hardware do sistema. As manutenções e substituições de equipamentos danificados são feitas por técnicos da própria Aeronáutica. "O estoque de peças, todo mundo sabe, é limitado", afirmou.

O relatório destaca que a falta de padronização dos equipamentos utilizados no sistema X-4000 dificulta e encarece a aquisição de peças de reposição. "Foi constatado que a quantidade disponível de peças de reposição não é suficiente para manter todas as posições de controle operantes nos controles de aproximação de Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus", informa o relatório.

De acordo com o texto, na época da auditoria, no controle de aproximação do Rio de Janeiro, por exemplo, das nove posições de controle existentes, duas (22,2 %) estavam inoperantes devido à falta de peças de reposição. No dia da visita da equipe de auditoria ao controle de aproximação de São Paulo, das 14 posições existentes, seis (42,9 %) estavam inoperantes pelo mesmo motivo do Rio. No de Manaus, de acordo com os gestores e técnicos do sistema, os computadores têm mais de dez anos de uso e não há peças de reposição no mercado.

Apesar de possuir três posições de controle, no dia 4 de outubro do ano passado, uma posição estava inoperante (houve retirada de peças para suprir a posição da torre) e uma segunda estava em manutenção, restando apenas uma posição em condições de uso. Dessa forma, o órgão operava com risco potencial de interrupção do serviço de vigilância radar, devido à falta de peças de reposição.

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