segunda-feira, 28 de abril de 2008

Preocupa-se

Preocupa-se

Das informações postadas recentemente -- erros do ATC da Flórida, falsificações de reportes no ATC em Dallas e resultados dos erros do ATC no Eurocontrol --, é preciso considerar que no Brasil esses eventos citados ocorrem simultaneamente no país inteiro, conforme alertou o Boletim Conjunto do SNA (pilotos) e da FEBRACTA (controladores) de 01/12/2007 (http://atcbrasil.blogspot.com/2007/12/sna-e-febracta-alerta-sobre-crise-area.html) e outros alertas tanto de pilotos como de controladores de tráfego aéreo.

A ação de reposição massiva de controladores nas instalações militares do SISCEAB que, também por força de mudança normativa nas Instruções do Comando da Aeronáutica (ICA), notadamente nas ICA100-18, 100-12 e 100-30, e decorrências,

1) diminuiu sensivelmente o período exigido para a conquista da habilitação no órgão operacional (TWR, APP ou ACC);

2) criou uma posição operacional Assistente sem definição plausível e sem exigir a adequada capacidade técnica para efetivo auxílio e/ou substituição do controlador com a estratégia de separação na cabeça e o microfone na mão;

3) estabeleceu a concessão de habilitação de controle de tráfegos civis para controladores da Defesa Aérea (http://atcbrasil.blogspot.com/2007/11/habilitao-ilegal-de-controladores-e.html);

4) aumentou a Carga Horária de Trabalho e em certos órgãos adicionou atividades eminentemente militares nos horários reservados e adotados por exigência de Acordos internacionais à reposição da capaciddade de trabalho;

5) estabeleceu NOTAM (Notice to Airmen) implantando uma lacuna na prestação de serviço ATC em determinada faixa de níveis de vôo;

6) impede a confecção dos Livros de Registros de Ocorrência (LRO) pelos próprios graduados BCT (sargentos e suboficiais controladores e supervisores de equipe);

7) não estimulou o emprego de soluções como o EVAIR do Eurocontrol (vide matéria) e sua contra-partida nacional o RCSV (Relatório Confidencial de Segurança de Vôo) que é sub-utilizado pelos controladores pelo mesmo motivo apresentado na matéria "raising the worry that fear of employer reprisal or legal action is inhibiting reporting by controllers at some air navigation service providers";

8) não racionaliza os dispositivos existentes para treinamento dos controladores (e.g. o Simulador de Torre de Controle em 3D no ICEA não tem servido para as TWR de dois dos três aeroportos mais movimentados do país: SBSP e SBBR) etc,

torna o assunto exposto em três mensagens diferentes aqui postadas uma "coisa conjunta" e mais atentatória à pretensa normalidade que se faz sentir nos assuntos de Transporte Aéreo hoje em dia no Brasil.

Se o Provedor e o Fiscalizador têm relações promíscuas entre si e conspiram para seduzir os Argonautas do Estado Brasileiro com seu canto de segurança total, nenhuma auditoria séria conseguirá realizar seu o intento final: a disseminação de informações verdadeiras para os trabalhos de análise, diagnose e aplicação do(s) melhor(es) tratamento(s) possível(is) bem como a renovação dos paradigmas de qualificação do erro humano e investigação dos incidentes e acidentes por uma comunidade leiga com intenções punitivas tão somente.

Esse é um medo real de quem está dentro do Sistema, não na política de administração das organizações correlatas, não obstante o rastreamento das falhas do Homem, do Meio e da Máquina nos levarem incondicionalmente à noção de Acidente Organizacional. Ou seja, o acidente já se encontrava incubado há muito, antes de acontecer. Não é pagar pra ver. É investir para não ver.

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