sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Estadão: Nos EUA, pilotos do Legacy prestam depoimento ao Cenipa

Nos EUA, pilotos do Legacy prestam depoimento ao Cenipa

Jato comandado pelos norte-americanos se chocou com um Boeing da Gol e causou a morte de 154 pessoas

Elvis Pereira do estadao.com.br
e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

Os pilotos norte-americanos do jato Legacy - que se chocou com o Boeing da Gol em 29 de setembro de 2006, matando 154 pessoas - afirmaram que não desligaram o transponder, equipamento anticolisão que não estava funcionando na hora do acidente. A declaração foi feita durante depoimento prestado à comissão de investigação do acidente, em Washington, entre os dias 29 e 31 de janeiro .

Joseph Lepore e Jan Paul Paladino informaram também não perceberam ou se recordam de terem feito algo que pudesse ter ocasionado a interrupção do transponder.

A Comissão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) está em fase de conclusão do relatório final sobre o acidente, mas ainda espera contar com outra parte importante para descobrir porque o desastre ocorreu - o depoimento dos controladores, que até hoje evitaram prestar depoimentos. A Associação dos Controladores do Tráfego Aéreo informou que eles seguem orientação dos advogados em relação a pronunciamentos sobre o caso.

Depoimento

De acordo com nota oficial divulgada pelo Comando da Aeronáutica, os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino ouviram a transcrição da caixa preta do jato executivo Legacy entre os dias 29 e 31 de janeiro, ao lado de integrantes do Cenipa, em conversas individuais, na sede do National Transportation Safety Board (NTSB), em Washington, nos Estados Unidos.

A FAB informou também que três do NTSB participaram do depoimento. Na nota divulgada na noite desta quinta, com oito pontos, a FAB conta que, em dezembro de 2007, a Comissão de Investigação foi procurada por representantes dos pilotos norte-americanos, quando os trabalhos estavam na última etapa de produção do relatório final.

"Diante da importância desse depoimento, que não havia sido realizado antes por decisão dos próprios tripulantes, foi agendado o encontro com os representantes do Cenipa brasileiros", informa a nota, acrescentando que os pilotos ouviram as duas horas de gravação do áudio registrado pela caixa-preta (CVR) do Legacy e responderam a um longo questionário elaborado pela comissão de investigação sobre o acidente.

Acompnhados de advogados, os pilotos afirmaram que "não realizaram nenhuma ação intencional para a interrupção do funcionamento do transponder e, conseqüentemente, do sistema anticolisão da aeronave, assim com também não perceberam ou recordam terem feito algo que pudesse ter ocasionado a interrupção, de forma acidental, dos referidos equipamentos."

Segundo a nota, "as informações prestadas são importantes para o esclarecimento de pontos relevantes da investigação, por meio do cruzamento com outros dados já apurados, e para a formulação dos possíveis cenários que levaram ao não-funcionamento do transponder." Ainda de acordo com as avaliações feitas pela comissão, "o equipamento estava em condições de uso, porém não estava operando no momento da colisão."

Recomendações

Por conta das conclusões tiradas até agora pela comissão, diversas recomendações já foram encaminhadas a todas as partes envolvidas, de forma a se tentar obter mais segurança na aviação de jatos executivos, com mais rigor na operação destes vôos.

Entre elas, está a recomendação à Embraer, fabricante do jato Legacy, para que ela dê melhores e mais detalhadas instruções aos pilotos, quando forem entregar seus jatos. E à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que cheque se os pilotos têm, de fato conhecimento dos procedimentos das aeronaves que vão operar, cobrando capacitação das tripulações.

No caso da Aeronáutica e dos controladores, as instruções são no sentido de sugerir que sejam colocados mais alertas, por exemplo, sob forma de alarme, para ajudar a prevenir situações de conflito aéreo. Também estão entre as recomendações melhoria na formação e capacitação dos controladores, com melhor conhecimento do inglês, mais supervisão, e instalação de equipamentos mais capazes de ajudar mais o pessoal que monitora o sistema de tráfego aéreo.

Investigações

A expectativa é de que, dentro de um mês, esta nova etapa do trabalho da comissão de investigação esteja pronta, para encaminhar aos demais envolvidos no acidente os dados obtidos e as conclusões.

Os órgãos envolvidos terão até 60 dias para devolver o relatório com a sua aprovação ou com novas observações. Mas, como os demais órgãos estão acompanhando a investigação passo a passo, a Aeronáutica espera que não se leve todo este tempo para a conclusão final dos trabalhos e que tudo esteja finalizado em, pelo menos, uns 60 dias.

A Aeronáutica ressalta ainda que a investigação tem como único objetivo a identificação de fatores contribuintes para o acidente e a emissão de recomendações de segurança que possam ajudar a evitar novos acidentes aéreos. Reitera, ainda, que não tem a finalidade de apontar culpa ou de levar à responsabilização criminal ou cível dos envolvidos.

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