domingo, 27 de janeiro de 2008

Carlos Camacho: E seguro voar de avião no Brasil?

25/01/2008

É seguro voar de avião no Brasil?
Carlos Camacho

Não é não!
Seria se muitas das decisões tomadas não fossem de cunho absolutamente político.
Alguns pontos preocupam-me e, por isso mesmo, merecem destaque.

1) A voracidade das empresas aéreas nacionais (nacionais?) em agigantar-se, ao menos no que diz respeito às três grandes: TAM, Gol e Varig. As demais ficam, como se diz na linguagem carnavalesca, na "pipoca". Querendo, porém, saltar da panela e crescer também. Antes, nos tempos de Departamento de Aviação Civil (DAC), o crescimento das empresas aéreas era mais controlado. Hoje, entretanto, quem as regula é o mercado, que está aquecido no que tange a crédito. O lado positivo disso, é precio admitir, é que o transporte aéreo está bem mais socializado: deixou de ser transporte de elite para acolher aqueles que viajam à Casas Bahia.

2) Normas, regras, doutrinas, regulamentos, podem ser flexibilizadas se for do "interesse geral da nação". Nosso prezado ministro da Defesa assumiu seu papel com posições firmes, claras, norteadoras, no sentido de se incrementar a segurança. Hoje, esse ministro já não é mais o mesmo. Talvez ambições não tão declaradas o tenham levado a ordenar ao Conselho Nacional de Aviação (Conac) que transija com Congonhas (nosso aeroporto paulista), a fim de atender os interesses das aéreas e o clamor dos usuários, que não têm elementos suficientes para analisar riscos que correm. Afinal, fosse eu um político, jamais desprezaria a força que uma empresa aérea pode oferecer em uma campanha política. O apoio de uma única empresa é equivalente a milhões de votos. Todas então, nem se diga.

3) A parte que diz respeito ao controle aéreo é outra questão que me preocupa. Essa parte é vital ao sistema e precisa de tempo e investimentos para se adequar à nova realidade. Para formar um controlador de tráfego leva-se tempo. Além da teoria, é necessária muita prática. Não bastasse isso, os atuais controladores, desesperançados com a profissão que abraçaram e amam, estão indo embora, trocando seus consoles e radares por profissões públicas e privadas, visto que a maior parte deles tem o terceiro grau. Sem mencionar os fortes indícios de desrespeito das condições trabalhistas, uma vez que, como militares, o regulamento que prevalece é o da caserna.

4) Congelar o crescimento da frota nacional seria uma medida justa, correta e necessária, a fim de adequar paulatinamente o sistema de transporte aéreo civil no Brasil. Levará tempo, porém, para ajustarmos as reais necessidades com as reais possibilidades. Só assim teremos um crescimento ordenado e firme.

5) As vontades de nossos políticos são terríveis! Legislam, quando não em causa própria, fazem-no em nome de minorias que, no final das contas, não perecem em acidentes aéreos, visto que viajam em seus próprios aviões ou em aeronaves do Grupo de Transporte Especial (GTE) da FAB. Nesse caso, a distância do encosto da poltrona da frente é compatível com o comprimentos das pernas dos políticos e autoridades que ali se assentam.

O povo, ora o povo... Leva-me a crer que a Zélia Cardoso de Melo e o ministro da parabólica tinham razão.

No final, ao povo (usuários) resta correr atrás do seguro de morte, que não substitui jamais o ente perdido. Levará nessa peleja um, dois, ou dez anos, não importa! Dezenas de parentes de vítimas do acidente ocorrido em 1996 no bairro do Jabaquara, em SP, ainda não viram um tostão, porém, a(s) empresa (s) vai(ão) bem, obrigado.

(Carlos Camacho)

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