quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Aeronáutica demite 7 controladores

Aeronáutica demite 7 controladores

Em Curitiba, Cindacta-2 afasta outros 11 profissionais por determinação judicial

BRASÍLIA E SÃO PAULO

O Comando da Aeronáutica anunciou ontem o afastamento de sete controladores de vôo do Cindacta-1, em Brasília. Como tinham menos de dez anos de carreira, eles ainda não haviam garantido a estabilidade na função e tiveram o pedido anual de renovação de vínculo rejeitado.

A punição é incomum e só costuma ser aplicada em casos de faltas disciplinares graves. A FAB não deu detalhes sobre a medida, mas informou que os profissionais ainda podem recorrer à Justiça Militar.

Segundo um controlador ouvido pelo GLOBO, todos tinham ficha disciplinar limpa, mas faziam parte do grupo que participou do motim em 30 de março. Oficiais do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica não quiseram desmentir ou confirmar a informação e a lista com os nomes está sendo mantida em sigilo. Um dos sete estaria no Cindacta-1 em 29 de setembro de 2006, quando uma falha no sistema de controle aéreo contribuiu para a colisão entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, no acidente que matou 154 pessoas e detonou a crise entre os controladores e os chefes da hierarquia militar.

Em Curitiba, 11 controladores afastados

O afastamento dos sete controladores de Brasília foi comunicado em cartas enviadas a eles pelo comando do Cindacta-1 entre quinta e sexta-feira da semana passada.

Em Curitiba, o Cindacta-2, responsável pelas operações de controle de vôo na região Sul e parte do Mato Grosso do Sul e São Paulo, acatou decisão da Justiça Militar e afastou outros 11 controladores de vôo. Os militares foram acusados de chefiar paralisação no dia 30 de março. Na época, com o Ministério da Aeronáutica ainda sob o comando de Waldir Pires, todos os aeroportos do país foram afetados pela operação-padrão.

- Os militares, que foram afastados da função de controle aéreo, agora cumprem trabalho administrativo - informou uma fonte do Cindacta-2.

O despacho, anunciado na sexta-feira, levou em consideração os artigos da Justiça Militar pelo crime de "recusa conjunta de obediência".

Em março, os militares denunciavam excesso de carga de trabalho e baixos salários, sucateamento da infra-estrutura e falta de pessoal, tanto controladores como técnicos para manutenção dos equipamentos.

A Aeronáutica informou que a saída dos 18 profissionais em Curitiba e Brasília não reduzirá a capacidade de controle do espaço aéreo nas regiões Sul e Centro-Oeste. De acordo com a FAB, 365 novos controladores serão formados até o fim do ano, e parte deles reforçará as equipes dos Cindactas. O efetivo de cada centro é de cerca de 450 pessoas.

Aeronáutica havia planejado remanejamento da equipe
A saída dos controladores que comandaram a operação de março era esperada pela Aeronáutica, que já havia se planejado para remanejar a equipe.

- Não houve impacto do controle aéreo com o afastamento dos controladores, porque a Aeronáutica se planejou para, no caso da saída desses militares, que tivesse pessoal pronto para o remanejamento - disse a fonte. Atualmente, o Cindacta-2 possui 446 controladores.

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